Em seminário da Federação Internacional da Imprensa Periódica, realizado em São Paulo, Jorge Fontevecchia, presidente da editora argentina Perfil, destaca, com números, liderança brasileira no mercado sul-americano
A América do Sul, impulsionada pela crescente robustez da economia brasileira, tem tudo para ser a nova Ásia nas próximas décadas. Este foi o teor da apresentação do argentino Jorge Fontevecchia, presidente e fundador da editora Perfil, no painel de abertura da manhã desta quinta-feira, 16, do Worldwide Magazine Marketplace, promovido em São Paulo pela Federação Internacional da Imprensa Periódica (Fipp, sigla em francês) com apoio da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner).
Fontevecchia, cuja apresentação teve uma platéia formada essencialmente por publishers responsáveis pelo licenciamento de títulos em todo mundo, mostrou um perfil econômico do continente sul-americano, mostrando-o como terreno bastante fértil para empreendimentos na área editorial.
Segundo esses números, o triângulo formado pelas cidades de Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro é responsável por 90% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente e onde são montados a maior parte dos três milhões de veículos produzidos na região. No mercado editorial, o Brasil tem liderança folgada na circulação diária de jornais com 8,2 milhões de exemplares, seguido de longe pela Argentina com 1,12 milhão. Em revistas, circulam no Brasil 422 milhões de exemplares por ano, contra 116 milhões na Argentina e 13,6 milhões no Chile.
O Brasil só é superado no continente no quesito TV a cabo, com a Argentina tendo 12,34 milhões assinantes contra 11,96 milhões do Brasil (a ABTA, porém, salientou, em seu mais recente balanço, que são 7,89 milhões). "Não tenho dúvida que seremos em breve a nova Ásia, com o Brasil tendo um papel muito semelhante ao da China", afirmou Fontevecchia.
O executivo argentino foi exilado político nos anos 80 por conta de suas atividades jornalísticas e retornou ao seu país apenas em 1989. A Perfil tem hoje em seu portfólio 35 revistas em todos os segmentos e domina o mercado argentino com share de 20%.