Federação Internacional da Imprensa Periódica (Fipp) registra até setembro deste ano 66 títulos licenciados internacionalmente, quase dois por semana.
Julia Elward, diretora internacional de desenvolvimento da Time Out, anunciou a publicação de uma versão da revista em São Paulo
O licenciamento internacional de revistas está em alta em 2010. É o que aponta o último balanço da Federação Internacional da Imprensa Periódica (Fipp, sigla em francês) que registra 66 novas edições até a primeira semana de setembro, contra 57 no mesmo período em 2009. A maior contribuição vem da Ásia, responsável por 25 das novas edições lançadas este ano.
A contribuição da América Latina é modesta, apenas 5 títulos contra 4 no mesmo período avaliado no ano passado. “Estamos fazendo um constante monitoramento desses movimentos e pedimos que nossos associados sempre nos mantenham informados”, disse Chris Llewellyn, presidente e CEO da Fipp na abertura do workshop desta quinta-feira, dia 16 que reuniu dez executivos de editoras que licenciam títulos em todo mundo, durante a 10ª edição do World magazine Marketplace, realizado no hotel Transamérica em São Paulo.
Uma das próximas contribuições da América Latina nessa estatística foi anunciada por Julia Elward, diretora internacional de desenvolvimento da Time Out. Segundo ela, começa a circular no início de novembro uma edição em inglês para a cidade de São Paulo destinada a atender o público estrangeiro tanto de visitantes quanto de residentes. Tendo Silvio Giannini como publisher e Claire Rigby como editora chefe, a tiragem inicial é de 20 mil exemplares.
Entre as histórias curiosas que surgiram no workshop conduzido por Llewellyn, duas foram contadas por John Cabell, fundador e CEO da Cue Ball, responsável pela Rolling Stone entre outros títulos. Na primeira delas, Cabell recorda o início promissor da Rolling Stone na China até se indispor como o partido comunista chinês – único do país e que centraliza o poder – ao ser retratada como voz da contracultura norte-americana. “Fomos obrigados a tirar nossa logomarca. O resultado é que perdemos nossos principais anunciantes em menos de um ano. Qualquer nos deixaram voltar a usá-lo já era tarde, tivemos que encerrar a operação”, conta Cabell. A interferência estatal chinesa também minou o projeto do Yoga Journal, citado por um blogueiro como simpatizando de Dalai Lama, líder espiritual considerado persona non grata pelo regime do país por liderar o movimento de independência do Tibete, assunto que causa arrepios nos mandatários mandarins. “Também fomos obrigados a abortar o projeto”, disse Cabell, negando qualquer vínculo com Dalai Lama.
Apesar dos percalços, a maior dos participantes do painel apresentou em sua maioria adaptações bem sucedidas de seus títulos pelo mundo,e m especial no Brasil. “Isso mostra que a mídia impressa ainda tem muita força”, comemora Llewellyn. Além dos executivos já citados, também participaram do painel Simon Greves (Bauer Media Group), Sofia Bordone (Editoriale Domus), François Coruzzi (Lagardère Active), Andrew Horton (IPC Media), Frances Evans (Marquard Media), Isabel Sicherle (The New York Times Syndicate), Kevin LaBonge (Rodale) e Jim Jacovides (times Inc).