quinta-feira, 9 de junho de 2011

E aí, Brasil: dentro ou fora da caixa?

Os Estados Unidos querendo pular fora da caixa. O Brasil querendo pular dentro. Quem está certo?

O World Innovation Forum, que acontece em Nova York, começou com um vídeo sobre as revoluções que estão acontecendo no mundo - descentralização econômica (ou seja, BRIC), novos modelos de negócio e criatividade (ou seja, Brasil) e a necessidade de se achar novas fórmulas (que também podem passar pelo Brasil). Assisti a excelentes palestras, que foram as do Clayton Christensen, do Tony Hsieh, da Paola Antonelli e a do bem humorado Paddy Miller.

A grande sensação que senti depois de ver todas as apresentações é que os Estados Unidos precisam repensar a sua vida. Durante anos, eles quiseram colocar o mundo em suas caixinhas. O que dava certo porque o mundo era mais fácil, mais óbvio, menos complexo. Inventaram os baby boomers, os hippies, os yuppies, os metrossexuais, a geração X, a geração Y, a geração Z, os 18/24 e tantas outras coisas.

Inclusive foram os americanos que inventaram a expressão "out of the box" - que era algo, ou uma empresa, que não estava no formato que eles conheciam/queriam. Só que agora eles descobriram que o mundo não é mais o mesmo.

Por exemplo: acreditar que o Brasil cabe dentro da caixa é curioso. Faça um exercício, vá para a rua e olhe firmemente no motorista do ônibus e me diga se ele é hippie, yuppie, metrossexual, baby boommer ou qualquer outra coisa além de brasileiro. Quando eu montei a minha empresa me disseram que ela era fora da caixa.

Eu olhei para os lados e me perguntei: que caixa? No Brasil tem caixa? Tem modelo certo? Aqui não tem guerra, mas teve hiperinflação, ditadura e movimento tropicalista. Aqui, quando todos os países do mundo estavam crescendo, a gente estava em recessão e hoje, quando todos os países estão em recessão, a gente tá crescendo.

E tem a torcida do Flamengo, a do Corinthians, tem caipirinha e corrupção adoidada. E tem Chacrinha, a moça da favela e o Vale do Silícío Verde que é o nosso centro-oeste. Somos os maiores em carne bovina e a gente toma banho todo dia.

Os americanos entenderam que o mundo não é mais uma caixa e que para continuar bem, em cima desta costa terrestre é necessário entender e inovar. E como eles são pragmáticos e não querem ficar para trás, já estão discutindo o assunto para pular da caixa. E para pular fora da caixa, nada melhor do que olhar para o Brasil - um País que nasceu e cresceu fora da caixa.

Mas o problema é que a gente, nós, brasileiros, queremos ser como os americanos e entrar na caixa deles. É a briga do rochedo contra o mar. Precisamos nos assumir, assumir quem somos. Brasileiros esculhambados, felizes, batalhadores, criativos e festeiros, entre outras vantagens.

Precisamos parar de falar que a Copa do Mundo está atrasada. Tudo no Brasil está atrasado, nunca tivemos uma obra dentro de cronograma algum. Não teremos a Copa do Mundo da Alemanha, nem a Copa do Mundo da França. Teremos a Copa do Mundo brasileira: cheia de música, festa, batucada e futebol. Beijos e até amanhã.