segunda-feira, 20 de junho de 2011

Classes emergentes vão à academia

Ginástica já está ao alcance de 66% dos 4,2 milhões de brasileiros que frequentam as academias

As academias de ginástica populares exercitam a musculatura das marcas que operam hoje no setor. Instaladas em favelas e bairros de baixa renda, elas cobram metade dos preços praticados pelas grifes destinadas aos consumidores de maior poder aquisitivo, e seu avanço movimenta os negócios da área.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a Quality Fitness baixou as mensalidades para enfrentar a concorrência local. Em 2009, a Bio Ritmo, lançou a Smart Fit, sua marca popular, hoje em fase de estudos. O grupo Bodytech, que administra a luxuosa academia Fórmula, também vai inaugurar espaços com mensalidades entre R$ 89 e R$ 149, que devem começar a funcionar dentro de aproximadamente dois meses para tentar alcançar os consumidores da classe C.

Essa movimentação é comprovada por uma pesquisa do Data Popular, cujos dados revelam que os consumidores de baixa renda respondem por 66% dos 4,2 milhões de brasileiros que frequentam as 19.681 academias de ginástica registradas no Conselho Federal de Educação Física (Confef), um dos maiores mercados do mundo. O índice junto às classes D e E é de 14%, de acordo com o estudo, realizado no último trimestre de 2010, e publicado nessa segunda, 20, pelo jornal Valor Econômico. As dados apontam ainda que 44% das pessoas que praticam atividade física estão na base da pirâmide social e 14% ocupam a fatia mais elevada, o que mostra um forte apelo social ligado à atividade.

Com mensalidades entre R$ 40 e R$ 50, podendo chegar até R$ 150, academias como a Gilson Clemente Academia (GCA), instalada na favela de Paraisópolis, região Sul da cidade de São Paulo, e a 100% Heliópolis, localizada na maior favela de São Paulo, ganham espaço devido à busca por saúde e bem-estar que, com o aquecimento da economia brasileira, agora estão acessíveis também para as classes emergentes.