quinta-feira, 12 de maio de 2011

Metrô de SP tenta se explicar.

Companhia do Metropolitano de São Paulo, alvo de protestos e abaixo-assinados nas redes sociais, afirma que estação mudará de lugar para abastecer a região da FAAP e do Pacaembu

Tudo começou com uma reportagem de cerca de 2.250 caracteres publicada na Folha de S. Paulo desta quarta-feira, 11. A matéria diz que o Metrô de São Paulo havia cedido a pressões de “moradores, empresários e comerciantes” do bairro paulistano Higienópolis, e não construiria mais uma estação na Avenida Angélica, na região central da cidade.

Mas a Companhia do Metropolitano de São Paulo declarou a Meio & Mensagem que não foi consultada pela equipe do jornal e que, na verdade, a mudança será feita devido à proximidade de “apenas 610m da futura Estação Higienópolis-Mackenzie e 1.500m da futura Estação PUC-Cardoso de Almeida, visando melhor equilíbrio da linha”. A linha, no caso, é a 6-Laranja, que ligará a Brasilândia (Zona Norte) à estação São Joaquim, no Centro, e que não deverá ficar pronta até o fim da gestão de Geraldo Alckmin (2011-2014), segundo o próprio Metrô. A estatal quer uma estação que atenda à região da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e do estádio do Pacaembu.

A essa altura, porém, entre a versão da Folha e a versão oficial da empresa, os internautas já optaram pelo protesto. No Twitter, persiste entre os assuntos mais comentados por quase 24 horas a hashtag #gentediferenciada — alusão à expressão “gente diferenciada”, usada por uma moradora em entrevista à Folha de S. Paulo em agosto de 2010, quando as reclamações dos higienopolitanos começaram. Disse a senhora, de 55 anos de idade na ocasião: “Eu não uso Metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do Metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…”. O barulho no Twitter alcançou repercussão internacional.

No Facebook, tem destaque o evento “Churrascão da Gente Diferenciada”, que conta com mais de 34 mil convidados com presença confirmada e pretende fazer um churrasco em frente ao Shopping Pátio Higienópolis com “farofa, carne de gato, cachorro, papagaio, som portátil, carro tunado” neste sábado, 14, a partir das 14h. Foi criado também no Facebook um abaixo-assinado, por meio do aplicativo Causes, como forma de reclamar da suposta subserviência do governo estadual de São Paulo (controlador da Companhia do Metropolitano de São Paulo) às queixas da Associação Defenda Higienópolis.



Posicionamento

Na manhã desta quinta-feira, 12, a Companhia do Metropolitano de São Paulo publicou em seu site uma nota de posicionamento sobre o projeto da futura Linha 6-Laranja. Veja-o abaixo, na íntegra:

"Sobre o projeto da futura Linha 6-Laranja (Brasilândia-São Joaquim), o Metrô esclarece que:

1. Visando melhor equilíbrio do projeto da futura Linha 6-Laranja, a Companhia está reavaliando a localização da futura Estação Angélica, em razão dela estar a apenas 610 m da futura Estação Higienópolis-Mackenzie e a 1.500m da futura Estação PUC-Cardoso de Almeida.

2. Essa reavaliação tem caráter exclusivamente técnico, em nada motivada por pressão dos moradores da região de Higienópolis, a favor ou contra a estação.

3. No momento, a área técnica do Metrô estuda a melhor localização de uma nova estação que atenda à FAAP, Av. Angélica, Praça Vilaboim e Estádio do Pacaembu.

4. A definição da nova localização depende da conclusão de estudos geotécnicos e do melhor posicionamento para a implantação da obra, de forma a causar o menor impacto na região.

5. Essa definição constará no projeto básico da futura Linha 6-Laranja, cuja conclusão será no final deste ano.

6. A futura Linha 6-Laranja, com 13,5 km e 14 estações, deverá transportar cerca de 638 mil passageiros por dia. A linha fará integração com as linhas 1-Azul e 4-Amarela do Metrô e com a Linha 7-Rubi da CPTM".