sexta-feira, 18 de março de 2011

José Padilha: distribuição deve ser do produtor

Para diretor de Tropa de Elite 1 e 2, modelo atual só traz riscos, quer uma obra vá bem ou não

Publius Vergilius O cineasta José Padilha esteve no Rio Content Market, evento que debate conteúdo audiovisual
O cineasta José Padilha afirmou que o modelo atual de produção de cinema no Brasil só penaliza o seu produtor, caso ele não tenha consigo os canais de distribuição. A declaração foi feita em painel do Rio Content Market, evento de conteúdo audiovisual que vai até esta sexta-feira, 18, no Rio de Janeiro,

Para ele, a distribuição é um serviço que pode ser contratado e que dá ao detentor do conteúdo a possibilidade de rentabilizar o investimento pelo qual ele foi o responsável por captar. "Temos no Brasil a possibilidade de montar um modelo nosso: o produtor controla a distribuição, que tem de ser um serviço. Já acontece nos Estados Unidos, com LiosGate, Fox“, afirmou o diretor.

"Eu não entendo nada de TV nem de internet; vou falar de cinema”, disse logo de cara o cineasta de Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 a um auditório completamente lotado. Ele contou que, diante do tombo que levou com o primeiro filme, que teve mais de dez milhões de espectadores, porém uma bilheteria de 2,5 milhões de tickets – em virtude da imensa pirataria -, mudou o processo para o segundo filme.

Padilha contratou pesquisa do Ibope para medir o conhecimento da população sobre o capitão Nascimento: o reconhecimento foi de 70%. Daí, a opção pela continuidade.

Segundo José Padilha, Tropa 1 gerou R$ 30 milhões em receitas. Já de Tropa 2, o valor foi dado em dólar: US$ 70 milhões.

Games

Ao ser indagado pelo moderador do painel, Mauricio Motta, Padilha respondeu que não licencia a marca de Tropa para o mercado de games por não poder controlar o conteúdo. “Só se quiserem um game educativo. Não quero um jogo para os players sairem atirando e pontuando por mortes de bandidos ou polícia”.

Ao final, o diretor foi para a plateia e, mesmo após ter detalhado todos os problemas que a pirataria lhe causou, viu, a título de homenagem, videos no telão com cenas de "Tropa" fora de seu contexto original. As versões traziam legendas em inglês com diálogos diferentes dos originais no português, ou ainda uma versão com funk para cenas do longa que correu num blog de humor (Kibeloko) e também no YouTube. Educadamente, o diretor assistiu.