Banco de investimento adquiriu a participação do Grupo Silvio Santos pelo valor de R$ 450 milhões; empresário diz que emissora e outras empresas estão a salvo
Com a negociação, BTG Pactual adquire todas a participação do Grupo Silvio Santos na instituição Financeira
Mais de quatro meses após a descoberta de um grande rombo em seu balanço contábil, o Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, livrou-se de uma quebra após uma negociação com o BTG Pactual. Finalizada na noite dessa segunda-feira 31, o banco adquiriu a parte do empresário Silvio Santos na instituição financeira pelo valor de R$ 450 milhões. O fato relevante foi divulgado às 23h29 de segunda-feira pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Com a negociação, o banco de investimentos passa a ser o dono de 37,64% da instituição financeira, com 67,25% das ações ordinárias e 21,97% das ações preferenciais. Segundo informações divulgadas em seu comunicado oficial da transação, o patrimônio total do banco BTG pactual atinge a marca de R$ 5,6 bilhões.
Com o acordo, o Grupo Silvio Santos se desvincula por completo da instituição financeira. O pagamento de R$ 450 milhões feito pelo BTG Pactual será usado pelo empresário Silvio Santos para cobrir parte da dívida de R$ 4 bilhões contraída junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Assim que o rombo do Panamericano veio a tona, e, novembro, o empresário recorreu a entidade (criada pelos próprios bancos para socorrer instituições financeiras que estejam em risco de quebra) e fez o empréstimo, oferecendo todo o restante do patrimônio do Grupo Silvio Santos como garantia – inclusive o SBT e a empresa de cosméticos Jequiti.
O restante da dívida que o banco possui junto ao FGC – R$ 3,8 bilhões – será quitada pelo próprio BTG Pactual, no momento em que o banco de investimentos desejar. Este valor pode ser quitado até o dia 31 de julho de 2028. No acordo, a Caixa Econômica Federal manterá a sua atual participação (de 36,56%) no capital social do banco Panamericano.
SBT salvo
Embora tenha recebido o pagamento de R$ 450 em títulos, o empresário Silvio Santos se livrou dos empréstimos diretos que o vinculavam ao Fundo Garantidor de Crédito. Na tentativa de salvar o banco, Silvio, primeiramente, adquiriu R$ 2,5 bilhões do fundo. Em janeiro deste ano, porém, uma nova verificação do balanço financeiro mostrou que o rombo era ainda maior, o que exigiu um novo aporte do FGC, de R$ 1,5 bilhão.
De acordo com os veículos que acompanharam de perto a negociação na noite de segunda-feira, Silvio Santos deixou a sede do banco BTG Pactual com uma expressão tranquila e sorridente, dizendo aos jornalistas que o Panamericano foi a única empresa vendida do grupo e que nem o SBT, nem a marca de cosméticos Jequiti correm o risco de serem vendidos.
Liquidez e investimento em mídia
Apesar de ter se livrado da dívida, o Grupo Sílvio Santos acabou perdendo a sua empresa de maior liquidez. As receitas de intermediações financeiras do banco Panamericano alcançavam o montante de R$ 3,2 bilhões e seu lucro líquido era de R$ 171,5 milhões. O SBT, a empresa mais conhecida do grupo, teve, no mesmo período, uma receita de R$ 737,7 milhões e um lucro líquido de R$ 44,2 milhões.
Além disso, o banco era um dos principais anunciantes e comprador de espaços publicitários na grade do SBT. De acordo com o ranking de 2010 da publicação Agências & Anunciantes, de Meio & Mensagem, o Panamericano investiu, em 2009, 20,9 milhões na compra de mídia - este número já foi 15% inferior ao investido em 2008. Diante da nova negociação, não é possível prever como será a comunicação do banco a partir de agora e nem o direcionamento dos investimentos em mídia.