Empresa lança plataformas fundamentadas na filosofia das redes sociais e aposta na interatividade para inovar e gerar conhecimento
Na edição deste ano da Lotusphere 2011, companhia revelou sua intenção de priorizar a interatividade
A IBM resolveu colocar a interação entre as pessoas e a cultura das redes sociais – postagens, comentários e compartilhamento de informações – como elemento prioritário em suas plataformas, e não mais apenas como acessórios. Ao anunciar as novidades na abertura do Lotusphere 2011, evento que acontece entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro e que, este ano, está sediado no Walt Disney World, em Orlando (EUA), Alistair Rennie, executivo principal da IBM Software, Lotus Software & WebSphere Portal, deixou claro que a IBM repassará para sua cultura e, consequentemente, para seus produtos, toda a gama de interação que as redes sociais são capazes de proporcionar.
A razão desse aprofundamento entre o relacionamento das pessoas – funcionários, clientes, fornecedores e colaboradores – e a própria IBM e parceiros deve-se, segundo Rennie, a dois principais fatores que essa abordagem tende a gerar: criação e, portanto, inovação, e a possibilidade de fazer a análise de todas as informações geradas pela troca entre essas pessoas e, por fim, produzir conhecimento. "A IBM ainda não sabe como sera o desenvolvimento disso tudo (redes sociais e interatividade no ambiente corporativo), mas sabe que não pode ficar fora dessa evolução", afirma Rennie. O executivo diz que tanto a inovação quanto o conhecimento, claro, serão aproveitados pela própria IBM.
Para ilustar essa nova filosofia, na abertura do evento a IBM trouxe o ator norte-americano Kevin Spacey. O ator compartilhou histórias e experiências com o público e serviu ao próposito pregado pela IBM: ser relevante (Kevin é uma personalidade) e gerar conteúdo (o discurso de Kevin, politizado, tem repercussão e força).
Os novos lançamentos – o software Customer Experience Suite (que permite o estabelecimento de redes sociais entre IBM e clientes, por exemplo) e o Lotus Connection, versão 3, que faz as conexões com as redes sociais como Facebook, LinkedIn e Twitter, entre outras - sâo duas plataformas, portanto, que trabalham com o princípio da interação, tanto com o cliente externo (Customer Experiencie Suite) quanto o interno (Lotus Connection).
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A IBM, empresa de tecnologia tradicional, tentará, com essa abordagem, enfrentar gigantes como Google e Microsoft. O executive Rennie responde pela área de collaboration solutions da empresa e o objetivo é, com preco acessível, se reposicionar na área de e-mails, chats, mensagens e atividades (tudo isso concentrado pela nova suíte do Lotus que era, originalmente, um programa de e-mail, adquirido pela IBM há 15 anos). A IBM considera que tem no Google um concorrente sim, mas de forma firme apenas nos Estados Unidos. Nos demais países essa concorrência para a empresa é apenas pontual. Por outro lado, o gerente de Lotus para a América Latina, Sergio Loza, um dos principais executivos do Brasil na IBM, assegura que o Google, no e-mail, não tem tanta interação interna porque é muito difícil armar uma rede (com o Gmail e outros softwares da empresa) fora dos padrões da companhia.
A IBM, atendida mundialmente pela Ogilvy, não deve fazer campanhas ruidosas para chamar a atenção sobre suas investidas em interatividade e redes sociais. Loza diz que a empresa costuma trabalhar diretamente com a indústria, e não com produtos específicos. A cultura da IBM situa-se no fortalecimento da própria marca IBM, e não dos produtos que fabrica.
“A novidade é que daremos ao colaborador o potencial para gerar inovação e, com isso, criar valor para a empresa”, diz Loza. Dados de um estudo da própria IBM apontam que 57% das empresas que investem em ferramentas de negócios sociais (ou social business) tem um impacto direto no crescimento. O mercado para as plataformas sociais deve crescer 33% este ano e chegar aos US$ 630 milhões e, ate 2014, estima-se que triplicará para US$ 1,863 bilhão.
Durante o Lotusphere, ficou patente a atração dos fabricantes móveis sobre a IBM: todos os projetos da empresa levam em conta os sistemas operacionais da RIM (BlackBerry), Apple (iPhone e iPad), Google (Android) e Symbian (Nokia). Um executivo da RIM chegou a apresentar o Playbook, tablet da empresa que chega em breve para concorrer com o iPad. A fora de trabalho baseada no cellular deve gerar receitas de US$ 1,19 bilhão ate 2013 e por isso o interesse da IBM no segmento móvel.