quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A atração do capital estrangeiro pelo varejo regional

Aquisições do grupo chileno Cencosud mostram que mercados locais viraram porta de entrada para esses recursos

As investidas do grupo chileno de varejo Cencosud nos mercados regionais dão pistas de que o interesse do capital estrangeiro por essas praças deverá crescer nos próximos anos. Recentemente, o Cenconsud comprou a rede mineira Bretas por cerca de US$ 80 milhões. Antes, havia adquirido a sergipana GBarbosa (US$ 430 milhões), a cearense Família (US$ 33 milhões) e a baiana Perini (US$ 27 milhões).

Essa e outras incursões de grandes grupos internacionais no Brasil, segundo análise de Alberto Serrentino, sócio-sênior da consultoria GS&MD, estão alinhadas às melhoras sucessivas dos indicadores macroeconômicos nacionais, que têm estimulado investidores internacionais a potencializarem suas posições no mercado brasileiro, além de traçar planos para identificar novas oportunidades de negócios em regiões fora do eixo Centro-Sul do País.

Serrentino ressalta que o varejo brasileiro está bem longe de atingir níveis mais elevados de consolidação. "No Brasil, as cinco maiores redes detêm pouco mais de 50% do setor, enquanto esse percentual supera os 70% em outros países, até mesmo sul-americanos. Mesmo porque o crescimento acelerado tanto do País, quanto do varejo tem criado condições para que novas empresas apareçam, outras se fortaleçam e esse cenário dificulta a consolidação", explica.

Ele considera ainda que a concentração do varejo irá acontecer de formas diferentes, de acordo com o segmento. O executivo avalia que, por conta do grande número de pequenas empresas, o setor de farmácias é um dos que devem apresentar o maior nível de concentração no curto prazo. "Esse é uma das áreas mais pulverizadas do varejo regional", comenta. No de supermercados, acredita que o ritmo será moderado. Assinala também que no de vestuário esse processo de concentração ainda é reduzido, e que no de eletroeletrônico esse movimento continuará acentuado, embora este já seja um dos segmentos mais concentrados.

Serrentino frisa que os players internacionais que já atuam no mercado brasileiro, como Walmart e Carrefour, também devem ampliar seus investimentos em praças menores, até para atender ao aumento da demanda provocada pela ampliação da capacidade de pagamento dos consumidores. Ele aponta que, nesse processo de acirramento da concorrência, as pequenas e médias redes de varejo estão atualizando seus modelos de negócios para ficar mais condizentes a essa nova realidade de mercado.

"As empresas que não tornarem suas operações saudáveis poderão se tornar inviáveis. Para que se mantenham no negócio, algumas delas estão revendo processos, que resultam em ampliação da rentabilidade, redução do nível de formalidade e adoção de boas práticas de governança corporativa. Com essas iniciativas, além de revitalizar e ampliar suas atividades, também se tornam mais atrativas para grupos estrangeiros que planejam entrar ou aumentar sua presença no mercado nacional", esclarece.