Primeira reunião de planejamento acontece quatro dias depois do encerramento da primeira edição do festival. Na pauta, melhorias na infraestrutura
Nesta sexta-feira, 15, acontece a primeira reunião pós SWU, o festival que uniu sustentabilidade e música e se encerrou no início da semana, após três dias de muito agito. Nesse encontro, os organizadores começam a discutir algumas mudanças já planejadas para a próxima edição, provavelmente em outubro de 2011 no mesmo espaço onde aconteceu neste ano, em Itu (SP). No foco, melhorias na infraestrutura.
O SWU, que nasceu de um desejo de Eduardo Fischer, presidente do Grupo Totalcom, de promover maior conscientização ambiental, reuniu 164,5 mil pessoas, de acordo com a organização. Uma parte delas usou a mídia social para postar suas queixas em relação ao evento, o primeiro com esse porte coordenado pelo grupo. Kaco Lopes, coordenador de produção do SWU, disse que depoimentos estão sendo estudados para a organização avaliar o que é preciso ser feito para que o próximo festival seja melhor.
“Vamos discutir a questão da infraestrutura e do acesso aos campings”, antecipa. Lopes, que tem experiência na produção do Festival de Verão de Salvador, outro evento de massa, afirma que alguns problemas pontuais do SWU 2010 foram resolvidos com agilidade. Segundo ele, por dia, a festa baiana atrai 50 mil pessoas em média, o que se aproxima dos números do SWU.
Um exemplo que Lopes usa para explicar essa agilidade é o que foi feito em relação ao trânsito e ao transporte para os bolsões de estacionamento, uma queixa forte nas redes sociais em relação ao primeiro dia do festival, no sábado 9. Para facilitar o fluxo de carros, foi aberto mais um acesso. No caso do transporte, detectado o fato de que não havia ônibus suficientes para levar as pessoas da Fazenda Maeda (local do evento) para os bolsões, foram disponibilizados mais veículos, saindo de 80 para 120. “No segundo e no terceiro dias, não tivemos mais esse problema”.
Sobre duas outras críticas comumente postadas na mídia social, as más condições dos banheiros e o excesso de lixo, principalmente o acúmulo de latas e copos pelo chão, Lopes afirma que tinham sido tomadas medidas antes para evitar esse problema. “A lei determina uma quantidade de banheiros químicos proporcional ao tamanho do evento. Para o SWU, esse cálculo equivaleria a 700, mas tivemos mil. Tínhamos 120 pessoas na limpeza. E na madrugada, quando se fazia o preparo para o dia seguinte, a equipe de limpadores subia para 230. Era um verdadeiro batalhão”, enumera.
Quanto ao lixo, Lopes responde que o festival é uma semente de conscientização. “Isso depende de cada um. Colocamos duas mil latas de lixo, mostramos as possibilidades de lixo ser gerado, mostramos processos de reciclagem. Mas tem gente que só se interessa pela festa”.
Em relação aos comentários sobre a qualidade do som, Lopes diz que foram feitas diversas reuniões para trabalhar em cima de todas as operações que um evento gigante como o SWU pudesse demandar. Uma das críticas mais contundentes veio de quem foi a Itu para ver o show da banda Rage Against The Machine, que teve “quedas de som” (do nada a música “parou”, embora os músicos continuassem tocando). Segundo a organização, o problema ocorreu no equipamento do próprio grupo. Fora isso, Lopes não detectou outros problemas.
Sem entrar em maiores detalhes por não ser o produtor dos shows (outro profissional cuidava dessa parte), ele salienta que o SWU é um festival diferenciado. “Sua proposta é única. E ele está em um local fora dos grandes centros”, observa. “Tivemos resultados acima das expectativas. Fomos ágeis e atendemos bem o público. A experiência foi muito positiva e o impacto foi muito além das pessoas que estiveram lá já que tivemos transmissão pela TV e os fóruns online. E vamos melhorar para o próximo”.
Para a edição 2011, está em estudos a realização de três dias temáticos. Por exemplo, um dia para o rock, outro para o pop, e talvez um dia para o hip hop. A ampliação de chuveiros para os campings é outra medida em planejamento (mas a determinação de sete minutos para o banho se mantém). Aumentar o efetivo para fazer a triagem de segurança na entrada das pessoas é mais uma possibilidade para o ano que vem.
Aqui, alguns números da organização do SWU 2010:
- 74 atrações musicais, 700 músicos nos palcos e mais de 50 horas de música
- 04 palcos (dois palcos principais – Ar e Água; Tenda Heineken Greenspace e Palco Oi Novo Som)
- 3.000 pessoas no Fórum Global de Sustentabilidade (nos três dias), que apresentou 29 palestras de convidados nacionais e internacionais
- Mostra de Artes com instalações inéditas e interativas de Eduardo Srur (também curador do espaço), Urban Trash Art, Bijari, Oficina Jamac, Flávia Vivacqua, Cooperaacs
- Espaço de arena: 233 mil metros quadrados, onde foram construídos 70 mil metros quadrados de área coberta, entre áreas de alimentação, palcos, tendas e camarotes
- 1.000 banheiros químicos
- 2.000 latas de lixo para coleta seletiva
- 350 funcionários responsáveis pela limpeza (120 trabalhando durante o evento e 230 na madrugada)
- 30 funcionários trabalhando na usina de reciclagem instalada no local do evento (separação e prensagem do lixo gerado)
- 30 toneladas de lixo recolhidas, separadas e destinadas a usina de reciclagem (12 toneladas só de latinhas)
- 9.000 funcionários envolvidos na produção e organização (diretos e indiretos), incluindo 1.600 seguranças (640 na triagem e nas áreas de circulação, 260 em segurança patrimonial e 600 seguranças das bandas) e 280 policiais por dia (militares, civis e rodoviários)
- Ocorrências: nenhum acidente registrado nas estradas do entorno, nenhum registro de briga, 88 pessoas detidas (4 cambistas, 1 por desacato e as demais por consumo de drogas, todas já liberadas)
- 597 atendimentos médicos, ou média de 199 por dia (a maior parte por casos de hipotermia, baixa glicemia e desidratação)
- 500 mil refeições servidas e 700 mil latas vendidas (das quais 100% recicladas)
- Estacionamentos: 1.437 ônibus (1.117 caravanas e 320 da organização), 1.368 vans e 42.970 carros