segunda-feira, 16 de agosto de 2010

TAM e chilena LAN anunciam fusão

Por meio de memorando, empresas comunicaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) entendimentos para "combinação de atividades". Da união nasce a holding Latam.

Com a fusão das empresas nasce holding batizada de Latam
Depois das megafusões entre companhias aéreas na Europa (Air France e KLM; depois British e Iberia), foi a vez da América Latina anunciar a fusão de suas duas maiores empresas aéreas. A TAM e a chilena LAN comunicaram nesta sexta-feira, 13, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um memorando de entendimentos no qual as empresas declaram ter a "finalidade de regular os termos e condições para a negociação da combinação das atividades das companhias".

A nova empresa resultante da fusão será uma holding que está batizada de Latam. Ela terá voos para mais de 115 destinos em 20 países, com uma frota combinada de 229 aviões, além de 40 mil funcionários, caso não sejam implementados cortes.

A composição acionária da nova empresa foi costurada de forma a não ferir a lei brasileira que atualmente permite apenas 20% de capital estrangeiro em empresas aéreas nacionais. Dessa forma, o memorando de entendimentos estabelece que os acionistas controladores da LAN mantenham o controle da empresa chilena e que as partes equivalentes na TAM também mantenham a titularidade de 80% do capital votante da companhia, além de uma participação do novo sócio chileno.

A operação, no entanto, obrigará a TAM a promover uma oferta pública de permuta para cancelamento de registro de companhia aberta na Bovespa, envolvendo ações tanto preferenciais quanto ordinárias em circulação. A TAM também deverá realizar processo semelhante para retirar seus papéis da Bolsa de Nova York. De acordo com o comunicado divulgado ao mercado via CVM, os acionistas da companhia brasileira receberão pelas suas ações um número determinado de ações da Latam, holding que será incorporada pela LAN.

Reflexos nas contas publicitárias não deverão ocorrer num primeiro momento. A TAM é atendida pela Y&R e a LAN pela Taterka, que assumiu a conta em dezembro do ano passado após processo de concorrência. O comunicado garante que - apesar de a LAN ter sua denominação social alterada para Latam Airlines Group S.A. - as marcas TAM e LAN serão preservadas.

Análise da fusão

Para a gerente de pesquisas em turismo da consultoria Euromonitor International, a chilena Michelle Grant, a fusão LAN e TAM é reflexo dos recentes resultados ruins no terreno financeiro das companhias, em especial da TAM. Pela sua análise, é também uma reação ao movimento que resultou em fevereiro da conclusão da unificação entre Taca e Avianca.

Michelle aponta que a dupla TAM e LAN terá supremacía na região, com share de 17% nas vendas de bilhetes aéreos na América Latina e um faturamento conjunto de US$ 9 bilhões, o triplo da dupla Avianca e Taca. A analista chilena destaca que a fusão consolida a aproximação entre as duas empresas que começou com compartilhamento de voos, sinergia que deve ser acelerada com ajustes em preços, rotas e em negociações com fornecedores.

A fusão, afirma a analista da Euromonitor International, deve acirrar concorrências entre os dois conglomerados pelos mercados brasileiro e colombiano, onde a LAN tem planos para iniciar uma operação doméstica em 2011, a exemplo do que já ocorre no Peru e na Argentina, Equador, além do Chile. "Se a TAM e a LAN forem bem juntas, elas podem conseguir fazer com que a Avianca abra mão do mercado brasileiro para se concentrar em defender seu mercado em casa", diz Michelle, referindo-se ao início da operação brasileira da Avianca, assumindo a posição da Ocean Air.

Outro reflexo da fusão pode ser uma possível saída da TAM da Star Alliance, sistema de milhagem e parceria entre empresas aéreas da qual passou a fazer parte no primeiro semestre deste ano. "A LAN já é parceira de longa data da One World e pode querer puxar a TAM. Isso deixaria uma brecha significativa para a Star Alliance na América Latina", conclui a analista chilena.