Publicação, que tinha tiragem de 30 mil exemplares em média, encerra sua edição impressa neste dia 1º de setembro Compartilhar .
Capa da última edição do Jornal do Brasil; a partir de 1º de dezembro jornal existirá só no universo digital
A última edição do Jornal do Brasil em sua versão impressa circulou nesta terça-feira 31, no Rio de Janeiro. A partir desta quarta-feira, 1º de setembro, a publicação, que por 119 anos fez história e revelou grandes nomes para o jornalismo carioca e brasileiro passa a ser 100% digital.
O fim do JB foi assunto nos últimos dias, principalmente por parte de jornalistas que trabalharam na suntuosa sede da Av. Brasil, 500 ou mesmo no endereço anterior, na Avenida Rio Branco, Centro do Rio. Nas redes sociais, profissionais relembravam os grandes momentos do JB e lamentam o fim de mais um jornal impresso. Nesta manhã, os comentários sobre a passagem do JB da vida impressa para a digital ganhou espaço no noticiário carioca. O canal SporTV fez uma matéria sobre o Jornal do Brasil. Miram Leitão, no Bom Dia Brasil,também dedicou seu comentário sobre o fim do JB. O jornal O Estado de S.Paulo também escreveu sobre o fim do JB em suas páginas de hoje. Também foi assunto no jornal Folha de S. Paulo. O Jornal O Globo não citou em sua edição desta terça-feira o fim do JB. Nas redes sociais, manifestações de saudade e de revolta.
Na segunda-feira 30, em sua coluna semanal, o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, hoje no jornal O Globo, escreveu um artigo onde o título “Funéreo”, contava sobre as grandes passagens do JB e o dia-a-dia de quem trabalhou no local. Hoje, na porta do bar Amarelinho, “coleguinhas” , estudantes, políticos e sindicatos marcaram o “Ato de Afeto”, uma manifestação no começo da tarde, para o último adeus ao jornal em sua versão impressa. Mas o encontro terá também um tom de protesto pelo fim do JB em papel.
Também está marcada para esta noite, no restaurante Capela, na Lapa, o lançamento do livro “Jornal do Brasil: memórias de um secretário. Pautas e fontes”, de Alfredo Herkenhoff, a partir das 18h. Um blog chamado Álbum Jotabeliano (http://albumfotojotabeniano.blogspot.com), retrata fotos e momentos do JB com textos e imagens postados por jornalistas que trabalharam na publicação. O blog recebeu comentários de Alberto Dines , editor-chefe do JB de 1963 a 1973. Com o título “Não chorem pelo JB. Revoltem-se, indignem-se, denunciem”, o texto fala que o “Jornal do Brasil é uma morte assistida, encenada por Nelson Tanure & Asseclas S.A”. Já o texto de José Silveira, secretário de redação do JB nos anos 60 e 70, reproduz o texto típico de obituários em seu começo “Jornal do Brasil, 119 anos, de falência múltipla dos órgãos. Após longa e sofrida agonia. Não era provinciano ‘de São Paulo’, ‘de Minas’, ou ‘de Pernambuco’. Mas era ‘do Brasil’
Nem todos conseguiram o último exemplar
O Jornal do Brasil deixa as bancas e encerra sua distribuição de 30 mil exemplares. Nos áureos tempos, sua tiragem ultrapassava os 200 mil jornais diários. Nem todos conseguiram ter nas mãos o último exemplar do JB como lembrança. Na Zona Oeste do Rio, a distribuição foi precária e algumas bancas sequer receberam um único exemplar.
Agora, a leitura do JB na versão digital passa a ter um conteúdo aberto e para a leitura de matérias e informações em todo o site, o custo será de R$ 9,90 por mês. Cerca de 150 profissionais vão trabalhar no JB digital, no bairro do Rio Comprido, Zona Norte da cidade. A versão digital será compatível para todos os leitores digitais, como o iPad e Kindle. O conteúdo do jornal digital será dividido em notícias em tempo real, JB Digital , com o conteúdo das editorias em uma versão virtual que tem a imagem do JB impresso e o Blogosfera , que reúne o trabalho de blogueiros do JB.
Problemas financeiros,dívidas e ações trabalhistas que segundo fontes chegam perto dos R$ 700 milhões, levaram a Docas Investimentos, empresa de Nelson Tanure que tem o direito de licenciamento da marca, a não investir mais no papel. A decisão de manter o JB apenas no ambiente digital também foi, segundo a empresa, baseada em pesquisas feitas com os seus leitores. Em defesa da mudança do meio impresso para o digital, o JB alega ainda que deixa de contribuir para a derrubada de 30 mil árvores por ano. Ainda seguindo o apelo ecológico, informa que o JB em papel gasta dez mil litros de água e 40 megawatts por hora de energia diariamente.