quarta-feira, 2 de junho de 2010

Telefônica reforça oferta pela Vivo em mais 14%

Perspectiva do mercado é que a Portugal Telecom ceda à pressão do grupo espanhol.

A Telefônica elevou nesta terça-feira, 1º, a oferta pela aquisição da Brasilcel (controladora da Vivo) em 14% - dos 5,7 bilhões de euros anteriores para 6,5 bilhões de euros - e colocou, uma vez mais, a Portugal Telecom (PT) em posição delicada. A poucos dias do encerramento do prazo da primeira oferta (6 de junho), o grupo espanhol reforça, portanto, o interesse em definir a presença da Telefônica no Brasil.

Ao contrário da primeira oferta, recusada prontamente pelos membros do conselho de administração da PT e pelo chamado "núcleo duro" de acionistas - o Grupo Espírito Santo (que detém 7,99% das ações da PT), o Grupo Caixa Geral de Depósitos (7,30% das ações), o Ongoing Strategy Investments (6,74%) e o Grupo Visabeira (2,01%) -, o presidente da Telefónica de España, Cesar Alierta, classifica essa nova proposta de "impecável". A Telefónica é a maior acionista da PT, com 10% das ações.

A Comissão Nacional de Mercado de Valores (CMMV) da Espanha, correspondente à CVM brasileira, recebeu da Telefónica ontem o fato relevante no qual a empresa espanhola esclarece que: "A Telefónica apresentou uma oferta vinculante e incondicional à Portugal Telecom para a aquisição, pela Telefónica (diretamente ou através de algumas sociedades pertencentes ao Grupo) de 50% do capital social da Brasilcel, sociedade partilhada em 50% por Telefónica e PT, proprietárias das ações representativas de 60% do capital da Vivo Participações".

Na Espanha, o mercado tende a avaliar que a Telefónica será bem-sucedida nessa segunda rodada da oferta pela Vivo. Os acionistas do núcleo duro desta vez foram mais prudentes e decidiram se reunir para estudar a nova proposta. Nessa nova oferta, a Telefónica dá algumas opções para a PT: permite que o grupo português aceite a oferta de imediato ou entregue o controle agora e venda sua participação aos poucos, num prazo de três anos.

Seria uma forma da PT não sair do Brasil de uma vez e encontrar outras oportunidades de investimento no País (que pode ser na Oi, por exemplo, ou ainda em parceria com o Grupo Ongoing que, no Brasil, tem o jornal Brasil Econômico). A Telefónica oferece também a opção de compra pela PT dos 10% de participação no capital da PT, calculados em 800 milhões de euros. Essa opção poderia tanto ser exercida pela PT como por um terceiro player que a PT designaria. Qualquer que seja o resultado dessa negociação fica claro que não interessa à Telefónica (e tampouco à PT) seguir como está, com ambas a dividir o controle da Vivo.

A PT, numa atitude discreta, não quis se pronunciar sobre a oferta, que representa um prêmio de 180% sobre a cotação média da Vivo na ocasião da primeira oferta, feita em 6 de maio deste ano. Se a PT aquiescer e aceitar a proposição da Telefónica, a empresa espanhola compraria também a empresa de call center da PT, a Dedic, que é uma das maiores do Brasil. O objetivo da Telefónica é fundir a Dedic com a Atento, sua própria subsidiária de call center. O preço da Dedic seria negociado posteriormente, fora do acordo inicial da Vivo. Por fim, a Telefónica se compromete a manter os gestores da Vivo e a respeitar os acordos de tráfego internacional existentes entre as operações da Vivo e da PT, em Portugal.