Computadores compactos aumentam participação no mercado de eletrônico; fabricantes lançam modelos para agradar a todos os gostos.
Os lançamentos não param de pipocar no segmento de computadores portáteis, e o motivo é muito simples. De acordo com projeção da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e da IT Data, em 2009 a venda de notebooks no Brasil deve chegar a 5 milhões de unidades, 16% a mais do que em 2008. O crescimento do ano passado em relação a 2007 foi de 125% (os números da entidade incluem todo o mercado, o formal e o ilegal). Ao mesmo tempo, a comercialização de desktops se estabiliza e apresenta tendência de queda.
"Neste ano, a venda de notebooks já vai ultrapassar em faturamento a de desktops no País, e a expectativa é de que, a partir de 2010, o mesmo aconteça em relação ao volume de produtos vendidos", comenta Ronaldo Miranda, diretor da divisão de TI da Samsung. "Por que os desktops ainda vendem mais? Porque o notebook é mais caro; porém, ele é o sonho de consumo de qualquer usuário", complementa.
Atenta a esses fatores, a Samsung anunciou na semana passada a sua entrada no segmento de computadores portáteis. "O notebook representa a maior oportunidade para o mercado de TI no Brasil", justifica Miranda. A marca inicia a sua atuação na área com cinco modelos (sendo dois de netbooks, os computadores ultracompactos), todos com preço entre R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil.
A intenção era ter iniciado as vendas de aparelhos portáteis no Brasil em outubro de 2008, mas o planejamento foi adiado por conta da crise mundial. Por enquanto, o movimento da empresa ainda é beneficiado pela chamada MP do Bem, medida provisória que baixou a carga tributária sobre o preço dos computadores para o consumidor final e que está em vigor até o fim do ano, mas pode ser prolongada. "Se ela não for renovada, o impacto será no mercado de maneira geral, e não só para a Samsung", pondera o executivo.
Antenados
O bom momento para o segmento de notebooks vem sendo explorado também por players que já atuavam nessa área. A Sony, por exemplo, lançou na semana passada dois produtos de olho nas vendas de final de ano. O primeiro é o que a companhia convencionou chamar de "o notebook mais fino do mundo". Trata-se do Vaio X, que tem apenas 1,39 centímetro de espessura e pesa 760 gramas. Já a tela é de 11 polegadas e permite ao usuário assistir a filmes sem as tradicionais faixas pretas de formatação.
Com preço sugerido de R$ 6.999, o produto busca atrair o público executivo. "Queríamos fazer um computador tão leve e até mais fino do que um caderno, mas sem restrição de uso", explica Francisco Simon, gerente de marketing e vendas da linha Vaio na Sony Brasil.
A companhia apresentou ainda o Vaio P, que conta com TV digital integrada, sem ser necessária a utilização de receptor ou de antena externa. O modelo corresponde ao chamado Pocketstyle PC, que pode ser carregado no bolso ou na mão e tem preço sugerido de R$ 3.999. Para a companhia, mais importante do que vender muito é vender para um público qualificado, que tem mais dinheiro no bolso.
Para Renata Gaspar, diretora de marketing do grupo de sistemas pessoais da HP Brasil, é fácil entender o fascínio provocado pelo notebook. "Ele possui um atrativo muito grande pelo fato de oferecer mobilidade e acesso à internet e informações a qualquer momento e em qualquer local. Para a HP, o notebook é um elemento pessoal, seja para o trabalho ou para o entretenimento", diz. Ela acredita que, em 2010, a categoria de notebooks vai crescer por volta de 30% no mercado brasileiro, enquanto a de desktops deve se manter estável. "Temos expectativa de que os netbooks vão apresentar o maior crescimento dentro da categoria de produtos de mobilidade", afirma.
Já Hélio Rotenberg, pre-sidente da Positivo Informática, pensa que a venda de netbooks deve apenas se manter. "Os notebooks estã'o barateando", diz. Ou seja, entre um e outro, vai acabar sendo mais vantajoso comprar o notebook. A Positivo é a maior fabricante nacional de computadores e renovou a sua linha de net e notebooks, investindo em modelos mais finos e em novas cores.