Entidade com sede em Londres pretende incentivar a distribuição de conteúdo móvel na América Latina.
Com o objetivo de promover a regulamentação e balizar a distribuição de conteúdo pelos telefones celulares, o Mobile Entertainment Forum (MEF) oficializa nesta terça-feira, 17, sua entrada na América Latina.
Com sede na cidade de São Paulo, a entidade global espera reunir, nesse primeiro momento, cerca de 60 associados entre operadoras de telefonia móvel e provedores de conteúdo de todo o continente com a proposta de estabelecer, por exemplo, modelos de cobranças que impulsionem o consumo de conteúdo por parte dos usuários. "Queremos trabalhar junto às operadoras e ao governo para apresentar regras claras no que diz respeito à venda de conteúdos pelos telefones celulares. Nossa ideia é trazer tendências e fomentar esse mercado na América Latina", diz Ron Czerny, chairman da entidade para o continente. Confira a entrevista a seguir:
Meio & Mensagem - Por que o Brasil foi escolhido para sediar as operações da MEF na América Latina?
Ron Czerny - O mercado latino-americano é bastante similar no que diz respeito à predominância dos celulares pré-pagos e penetração da tecnologia de terceira geração. Mas o tamanho do mercado brasileiro foi determinante para a escolha por representar 50% de todo o setor no continente. Além disso, a presença de grandes operadoras globais de telefonia, que já são membros da entidade em outras partes do mundo, pesou no momento da escolha. O mercado nacional de conteúdo também é muito interessante, sendo que o celular foi o dispositivo escolhido pelos usuários jovens e adultos que buscam diversão. É um País com muita escala.
M&M - Qual será o foco do trabalho da entidade?
Czerny - Nosso foco é representar a indústria de conteúdo estabelecendo regras e taxas que possam ajudar no desenvolvimento do setor. Faremos eventos mensais que trarão as informações necessárias ao mercado e apresentarão tendências mundiais para mostrar aos provedores locais de conteúdo quais rumos estão sendo tomados por esse mercado em escala global.
M&M - Como exatamente a entidade trabalhará a questão de tributação?
Czerny - Já temos uma divisão que cuida disso no exterior e, com base na experiência com outros países, iremos trabalhar junto às operadoras e ao governo para tratar das taxações. No Brasil, por exemplo, há a cobrança de uma taxa dupla para aquisição de conteúdos móveis. Queremos reduzir esses valores e, para isso, também trabalharemos junto a Anatel. Será um trabalho longo, mas que precisa ser feito. Queremos reduzir também o custo de dados para que os conteúdos se popularizem e para que a própria rede 3G ganhe escala chegando a todas as camadas da sociedade. Uma característica dessa tecnologia é justamente a possibilidade de baratear o tráfego e queremos estimular investimentos em infra-estrutura assim como a adesão.
M&M - Qual foi a repercussão da chegada da MEF ao Brasil junto à indústria?
Czerny - Foi surpreendente. Tínhamos a estimativa de fechar com cinco ou seis empresas que tivessem interesse em ser membros fundadores da entidade na América Latina, mas em duas semanas já recebemos 18 pedidos de companhias como Nokia, Sony e Telefônica. Além disso, teremos cerca de 100 participantes em nosso evento inaugural que acontece na tarde de hoje.