
A rede social, que já passou dos 20 milhões de cadastrados, pode realmente prejudicar o Facebook
O Google+, a rede social do Google, obviamente, tem alguma atração: apenas algumas semanas após seu lançamento, o CEO Larry Page anunciou que o serviço tinha chegado a 10 milhões de usuários (agora já são mais de 20 milhões). Mas, será que finalmente o serviço crescerá o suficiente para se tornar um problema para o Facebook? Penso que sim (nota: o editor do AdAge, Ken Wheaton, não tem tanta certeza). Aqui está o porquê:
1. O poder das metáforas
O Google+ tem círculos e o Facebook tem amigos. A ideia de agrupar as pessoas em círculos não é nova – basta recordar Dante (e os círculos do inferno) -, mas é refrescante porque acho seguro afirmar que estamos todos muito irritados com as coisas horríveis que o Facebook tem feito com a palavra “amigo”. A amizade das pessoas era um conceito esgarçado no Friendster, em 2002, e continuou esgarçado em 2003, com o MySpace (Tom Anderson, cofundador, era amigo de todos) e ficou insuportavelmente esfarrapado a partir de 2004 com o Facebook. O crescimento sufocante do projeto de dormitório de Harvard de Mark Zuckerberg significava que a amizade havia sido convertida em uma forma de Silly Putty (material de borracha siliconada que adquire qualquer forma) conceitual. É por isso que é provável que você adicione parentes distantes no Facebook, conhecidos aleatórios, colegas de classe antigos e outros que, culposamente, você aceita os pedidos f-f-f-f.... Droga! Não me faça dizer de novo! Há uma lógica banal e binária na maneira do Facebook ver a realidade. O Google+ também, naturalmente, é uma planilha gigante sem alma com servidores armazenados em prateleiras que cantam infinitamente. Mas, pelo menos, é muito simples e elegante e nos permite fazer o que naturalmente fazemos como seres humanos: dividir nossas vidas em compartimentos.
2. O Google+ é um anexo a ser construído, e não uma nova construção
Em uma recente mensagem no DigitalNex do AdAge.com, o CEO da Focus Deep, Ian Shafer, descreveu o Google+ como um “motor em tempo real de compartilhamento de conteúdo e de descoberta” que oferece “uma forte integração com a suíte de criação de conteúdo, de produtos de consumo e de propriedades do próprio Google”. Em outras palavras, o Google+ é uma nova janela para um mundo o qual todos nós já habitamos. A nova rede social do Google simplesmente nos dá um familiar – e mais flexível – conjunto de ferramentas para navegar nesse mundo... sem problemas.
3. Google+ é uma oportunidade para a mídia social trabalhar em cima
O jornalista Ezra Klein, do Washington Post, escreveu que o Google+ oferece “uma oportunidade para começar de novo, para construir sua rede social com anos de experiência de Facebook na mente, ao invés de ter que enfrentar o aumento de erros e os erros de cálculo que você fez ao longo de quase uma década de julgamento”. Concordo! Klein também escreve que “não é culpa do Facebook” que o que significa “ter uma conta no Facebook mudou quatro ou cinco vezes ao longo dos últimos anos, assim como a maioria de nós só tinha um perfil durante esse período”. E daí eu discordo porque...
4. Facebook furioso
O Atlantic.com publicou uma lista – As 19 empresas mais odiadas nos EUA, com base em dados do Índice de Satisfação do Consumidor Americano. Graças a preocupações com a privacidade, o Facebook está em 10º. Lugar, ao lado de empresas como Comcast (TV a cabo) e JPMorgan (banco). Não digo que o Google+ não tenha seus problemas de privacidade, mas acho que há uma massa crítica de ressentimento para com a arrogância de consumo geral do Facebook. Na maior parte do tempo, no entanto, não temos feito nada (até agora) sobre a nossa raiva coletiva do Facebook porque, bem, o que iríamos fazer? Voltar ao MySpace?
5. O problema da portabilidade da mídia social é exagerado
O Facebook relata que seu usuário médio tem 130 “amigos”. Acho que a maioria dos usuários do Facebook – inclusive a mídia auto-absorvida, o marketing e as pessoas de tecnologia que podem orgulhar-se de ter uma contagem alta de amigos -, mantem cluster consideravelmente menores de conexões realmente significativas no Facebook. Tecnicamente, podemos ter 130 (ou 400 ou 2 mil) amigos, mas, na prática, regulamos o compartilhamento de informações com um público verdadeiramente engajado nas dezenas baixas, se tanto. É cansativo para nós da mídia, do marketing e da tecnologia contemplar o movimento de centenas ou milhares de “amigos” longe do Facebook. Assim, temos uma visão distorcida do chamado problema da portabilidade da mídia social (veja como popularizar o conteúdo do Google+ no item 2 acima).
Mas, não vamos esquecer a história recente: milhões de pessoas comuns passaram de Friendster para o MySpace e do MySpace para o Facebook sem derramar uma gota de suor sequer.