terça-feira, 5 de julho de 2011

Diageo se afasta da disputa por Schincariol

Segundo Valor Econômico, fabricante do Johnnie Walker não se articulou para aquisição

"A Diageo nem chegou a fazer uma oferta pela Schin". Com esta frase, uma fonte não identificada descartou as chances de a empresa britânica se unir à cervejaria holandesa Heineken para adquirir a colega brasileira Schincariol. A declaração foi dada ao jornal Valor Econômico.

Ao lado da sul-africana SABMiller e da japonesa Kirin (pertencente à Mitsubishi), as duas europeias integravam o grupo de possíveis compradoras da Schin. "O problema é que a Diageo não queria investir sozinha e a Heineken tem planos muito ambiciosos. Quer crescer para brigar com a Ambev e tem dinheiro para fazer isso sozinha", disse a fonte.

Segundo os últimos dados da Nielsen, a Ambev tem 69% das vendas de cerveja no Brasil, e a Schincariol, em segundo lugar, 11%. A Heineken, que adquiriu a divisão de cervejas da mexicana Femsa no início do ano passado, fica em quarto, com 8,4%, atrás da Petrópolis, dona do rótulo Itaipava (10,2%).

A Diageo, fabricante do uísque Johnnie Walker e da vodka Smirnoff, entre dezenas de fermentados e destilados, já havia anunciado a compra de 53% da chinesa Quanxing, detentora da marca de baijiu (uma espécie de licor) ShuiJingFang na semana passada.

A Schincariol, à venda desde o começo de 2011, segue com uma dívida estimada em R$ 2,932 bilhões (fora débitos ainda não lançados em balanço), e uma discordância entre os maiores acionistas do grupo.

Adriano Schincariol, presidente da empresa e controlador de 51% das ações, seria a favor da venda para um grupo estrangeiro, enquanto o primo Gilberto Schincariol Junior, controlador de 49% das ações, vice-presidente e responsável pelas áreas comercial e de marketing, desejaria comprar as ações restantes — as quais Adriano não parece disposto a passar adiante.