quarta-feira, 29 de junho de 2011

Marcas brasileiras ganham o mundo

Compra do Carrefour pelo Grupo Pão de Açúcar cria uma das mais poderosas varejistas do mundo

O Brasil entra cada vez mais para o rol de países que têm marcas capazes de dominar o seu segmento de atuação em âmbito mundial. Mas até que ponto é legítimo conquistar esse tipo de status dilacerando os direitos do consumidor ? É o que pode acontecer no mercado varejista caso a fusão entre o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour seja aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Com base na política de internacionalização das empresas nacionais, o BNDES já declarou o seu apoio ao negócio por meio do aporte de R$ 4 bilhões na operação. Mas a criação dessa nova empresa - que teria 2.386 pontos de venda em 178 municípios, com receita anual de R$ 65 bilhões, e concentração de 32% do mercado - ainda depende do crivo do Casino, varejista francesa que divide o comando do Grupo Pão de Açúcar com Abilio Diniz. Os franceses têm poder de vetar a união e já se manifestaram contrários ao negócio.

A aprovação da compra do Carrefour pelo Grupo Pão de Açúcar ainda é incerta e deve empilhar o carrinho de compras com os mais diversos argumentos. Em seu favor, está a possibilidade, por exemplo, de criar novas oportunidades ao consumidor de todas as esferas sociais, já que tanto o Pão de Açúcar como o Carrefour operam com redes apoiadas numa plataforma de preços premium e outras com custos mais acessíveis, como o CompreBem, do Grupo Pão de Açúcar, e a rede de descontos Dia% , do Carrefour.

Fica, por enquanto, a percepção de que o dinheiro do contribuinte pode se voltar contra ele mesmo. É o cidadão pagando impostos para financiar a criação de uma empresa com um gigantesco poder para mandar e desmandar no preço dos produtos que o brasileiro coloca dentro de casa. É esse o tipo de marca que o Brasil quer ter ? A bem-sucedida gestão de Abilio Diniz comprova a habilidade do empresário e do mercado brasileiro, hoje disputado por players mundiais. É essa mesma postura vencedora que os cidadãos esperam agora para continuar tendo orgulho de uma marca genuinamente brasileira.