segunda-feira, 27 de junho de 2011

Kid Power discute publicidade infantil

Evento começa nessa terça-feira, 28, em São Paulo, em meio à polêmica sobre o projeto de Lei 5.921/01

A comunicação voltada para o público infantil ganha evidência essa semana com a realização da 7ª edição do Kid & Tweens Power Brasil, que começa nessa terça-feira, 28, e vai até a próxima quinta-feira, dia 30 de junho. Organizado pelo IQPC (International Quality and Productivity CenterHotel) no Blue Tree Morumbi, em São Paulo, o evento tem o objetivo de ensinar o mercado a fazer marketing para as crianças, discussão que chega justamente quando o Congresso Nacional tenta retomar o projeto de Lei 5.921/01, que proíbe a publicidade voltada ao público infantil.

No dia 17 de maio, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados promoveu um debate, que ficou polarizado entre os representantes da indústria da comunicação, como CONAR (Conselho de Autoregulamentação publicitária), ABA (Associação Brasileira de Anunciantes) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), contrários ao projeto, e os órgãos de defesa do consumidor e direitos da infância, como o Instituto Alana que, na verdade, não defendem a proibição da publicidade infantil e sim que esse tipo de mensagem seja voltada para os pais ou para pessoas a partir de 12 anos. Em tramitação há uma década, o texto de autoria do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) já sofreu diversas alterações e aguarda agora um novo parecer que, segundo fontes próximas ao andamento do projeto, só deve acontecer em 2012.

O próprio Instituto Alana foi convidado para participar do Kid Power. “Esse convite reflete o próprio reconhecimento e entendimento do mercado sobre a necessidade de se estabeler limites para conter o avanço de um conteúdo capaz de estimular um consumo exacerbado, nocivo à formação de qualquer cidadão”, diz Isabella Henriques, coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, que vai falar sobre a necessidade da indústria da comunicação de se adaptar à novas estratégias mundiais para se anunciar produtos e serviços ligados ao universo infantil.

O evento terá ainda a apresentação de diversos estudos. Um deles será apresentado pelo IQPC, em parceria com a Play Consultoria, na terça-feira, 28. Realizada entre março e maio de 2001, com crianças entre 6 e 8 anos de idade, em São Paulo, Recife e Porto Alegre, a pesquisa mostrou que os brinquedos ainda são a categoria de produtos que mais chama a atenção das crianças. A partir dos seis anos, as meninas passam a dividir a sua atenção entre brinquedos e roupas, enquanto os meninos ficam entre brinquedos (bolas e jogos de tabuleiros, cards, entre outros) e eletrônicos (videogames). Os pequenos participam ativamente desse tipo de compra e sabem o que querem e pedem aos pais.

Outro destaque é para a influência dos licenciamentos. No material escolar, por exemplo, a principal motivação de compra é o personagem, sendo que a criança costuma acompanhar a mãe na compra ou orienta a mesma a partir de seu gosto. As preferências infantis costumam direcionar também o tipo de lazer da família. As crianças começam a mediar também escolhas relacionadas à eletrônicos, canal por assinatura e carro. Nesses itens, a opinião da criança não prevalece na compra mas é escutada e considerada.

De acordo com o levantamento, 64% dos pais afirmam que pedem a opinião das crianças antes de comprar determinados produtos. Esse dado leva à principal reflexão sobre o assunto. Hoje, as crianças são estimuladas por seus pais a compartilhar cada vez mais as decisões de compra de determinadas categorias de produto, formando pequenos imperadores incentivados a escolher e consumir desde muito cedo. A educação, que antigamente tinha como base uma relação hierárquica claramente definida e respeitada (pais determinam e filhos obedecem), passa agora a se estruturar a partir de um nível hierárquico mais próximo e uma relação de negociação, na qual o filho expõe o seu desejo, os pais consideram e propõem uma troca. Um exemplo é a sugestão para doar um brinquedo “velho” em substituição a um novo presente.

Programação
O kid Power apresentará ainda pesquisas ligadas a licenciamentos, poder de consumo das crianças e redes sociais. As palestras ainda discutirão as estratégias do varejo, o papel dos pais na construção de valores, a importância das ferramentas digitais, o processo de fortalecimento das marcas junto ao público infantil, a necessidade das crianças de brincar mesmo diante da oferta dos eletrônicos, o poder das promoções, novas oportunidades de mercado, entre outros.