segunda-feira, 20 de junho de 2011

Governo pretende criar empresa de inovação

Feita nos moldes da Embrapa, organização deve ser lançada até o fim do ano

Ainda distante de ser considerado um polo de inovação, o Brasil deve ganhar um novo impulso nessa área até o fim do ano. É o que disse Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, durante reunião da Mobilização Empresarial pela Inovação, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo, na sexta-feira, 17.

A instituição será feita nos moldes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e visará impulsionar a inovação na indústria, principalmente nas pequenas empresas. Esse foco, em particular, encontra eco nos anseios do microempresariado. Pesquisa do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP) divulgada no último dia 14 mostra que 45% das indústrias com até 50 funcionários afirmam ter as vendas reduzidas por conta de produtos importados, e 90% defendem mecanismos para fortalecer o mercado interno.

“Precisamos colocar um sentido de urgência para as indústrias brasileiras. Estamos trabalhando em um cenário de alto custo e o governo terá uma atitude firme”, disse Mercadante, diante de representantes de companhias como Klabin, Siemens, Ford, Grupo Ultra, Marcopolo, Villares, Embraer, Natura, Novartis, Coteminas e IBM.

O modelo adotado para a organização será o de parceria público-privada (PPP). Nas palavras do ministro: "A gestão caberá à iniciativa privada para termos um ganho de receita e atender de forma concreta à demanda da indústria. O governo terá uma ‘golden share’ — participação acionista em que o Estado, apesar de minoritário, tem o poder de intervir”. Uma comissão de empresários e governo deverá se reunir no próximo dia 27 para fechar acordo.

Segundo o site da revista Exame, Mercadante foi “enfático” ao afirmar que o governo vai dar benefícios a quem produzir conteúdo nacional. “O mercado interno é o nosso maior patrimônio e o governo dará incentivos para quem antecipar o conteúdo local. Queremos empresas produzindo no Brasil e não lá fora. Vamos fazer uma política bem agressiva em relação aos softwares de games. As empresas do setor já empregam meio milhão de trabalhadores. É uma indústria promissora, muito importante para o país”.

A nova instituição também deve procurar agilizar o processo de registro de patentes