segunda-feira, 11 de abril de 2011

O que pensam os empresários da indústria erótica?

Responsáveis pelos principais players do "mercado sensual" — que já movimenta R$ 1 bilhão por ano no Brasil — contam seus segredos

A reportagem de Meio & Mensagem esteve na 18ª edição da Erótika Fair, que aconteceu entre os últimos 7 e 10 de abril e reuniu fabricantes, distribuidoras e marcas de produtos dedicadas ao chamado "mercado sensual". Responsáveis pelas quatro empresas brasileiras que mais se destacam no ramo contaram por que resolveram ingressar na indústria erótica e quais os diferenciais que os tornam tão importantes no setor — que já movimenta R$ 1 bilhão por ano, de acordo com as contas da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme).

Quem: Eliana Bertipaglia, gerente comercial da Hot Flowers, considerada pela Abeme a maior fabricante de artigos eróticos da América Latina.

Por que ingressou no setor erótico: "Tínhamos uma outra empresa, de produtos descartáveis para restaurantes industriais, hotéis e motéis. Eu e meu marido conhecíamos muito de perto o meio de motéis, e víamos como tudo era caro. Resolvemos mudar isso. Quem fabricou nossa primeira prótese foi uma fábrica de bonecas".

Qual o diferencial: "Importamos matéria-prima, mas a dificuldade maior é criar boas texturas, texturas que sejam agradáveis ao toque e à própria penetração. Eu testo os produtos com meu marido, e também perguntamos a opinião de nossos amigos, parentes e funcionários".

Quais as perspectivas para 2011: "Acabamos de montar nossa confecção própria [antes as roupas da marca eram feitas por outras companhias, terceirizadas] e já abrimos nossa loja piloto. Queremos começar a franquear ainda este ano. Nossa loja tem lingerie e cosméticos no primeiro plano. Deixamos as próteses em outro ambiente, então as mulheres entram na loja com os filhos e podem ver produtos adultos sem as crianças por perto".


Quem: Waleria Albuquerque, proprietária da Erotic Point, considerada pela Abeme a principal importadora de produtos de última geração
Por que ingressou no setor erótico: "Comecei há 12 anos sem nenhuma proposta. Eu apenas achava que faltava tecnologia nessa área. Viajei a Amsterdã, Londres, e quis trazer para cá as coisas incríveis que eles vendiam lá".

Qual o diferencial: "Só trabalho com produtos dirigidos às classes A e B, inclusive firmando contratos exclusivos para distribuir itens do mercado de luxo, geralmente importados dos EUA, do Canadá e de Hong Kong".

Quais as perspectivas para 2011: "O mercado cresce conforme o preconceito diminui. O que falta para a gente, no Brasil, é design de modelo e, principalmente, de embalagem, que faz toda a diferença. O Brasil nesse aspecto ainda é falho. Dentro de alguns dias, pretendo lançar uma revista eletrônica. Ao contrário dos anúncios, o conteúdo customizado é muito mais retuitado e 'curtido' no Facebook".


Quem: Marcello Hespanhol, diretor da Adão & Eva, considerada pela Abeme a empresa da área que melhor investe em marketing
Por que ingressou no setor erótico: "Começamos trabalhando com DVDs eróticos, mas a pirataria e, depois, a popularização da internet vieram e esse mercado entrou em decadência. Então há quatro anos, criamos a Adão & Eva".

Qual o diferencial: "Nosso modelo de negócio é voltado para o atacado (lojistas, distribuidoras e lojas virtuais), e estamos crescendo hoje dentro da média do mercado, que é de 15%".

Quais as perspectivas para 2011: "Tem surgido demanda nacional, geralmente de cosméticos, que representam 30% das vendas de uma sex shop, ou de peças simples de borracha, porque as mais elaboradas são importadas muito caras, vendem pouco".

Quem: Ilda Soares, diretora da Inside Deliciosas Sensações, que pretende abrir 100 unidades franqueadas ainda este ano
Por que ingressou no setor erótico: "Meu marido, Salvador Bevacqua, está há 25 anos no mercado de cosméticos. Como é um mercado muito concorrido, percebemos que o pessoal de sex shops começou a se interessar pelos produtos com embalagem menor. Fizemos e fazemos sucesso com nossa vela que derrete sobre o corpo e vira óleo de massagem. Sem causar dor. Nosso foco, hoje, é mesmo o mercado erótico".

Qual o diferencial: "Começamos a usar o conceito de venda móvel: uma loja itinerante que passa pela frente de faculdades, baladas e até empresas. O ponto principal é evitar o constrangimento, a imagem estereotipada, inclusive nas embalagens".

Quais as perspectivas para 2011: "Queremos abrir uma média de 100 casas em sistema de franchising ainda este ano. O mercado erótico ainda é carente de bons cosméticos".