sexta-feira, 8 de abril de 2011

China: 70 mil empregos para brinquedos brasileiros

Fabricantes nacionais da área avançam no combate à importação

O Brasil é hoje o país mais antigo na fabricação de brinquedos. São 73 anos de uma história que atualmente testemunha uma verdadeira luta contra a China, onde 70 mil empregos são custeados pelas importações direcionadas para o Brasil. Mas o cenário começa a mudar. O custo da mão de obra chinesa já é de U$ 350, um valor 15% maior, que tem sido repassado também para o preço do brinquedo produzido naquele país. “A mão de obra chinesa começa a faltar por causa da demanda do setor eletroeletrônico”, reforço Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos).

A entidade aproveita essa brecha para mobilizar o setor e investir numa série de medidas capazes de reduzir o mercado dos produtos “made in China”. A empreitada começou em 2009, quando os fabricantes nacionais conseguiram reduzir de 60% para 58% a participação dos chineses. No ano seguinte, o share baixou para 57% e hoje está em 55%. “A diminuição é lenta e gradativa, mas já representa uma vitória”, comemora Batista da Costa. O executivo explica que o domínio chinês se deve a uma série de vantagens, como câmbio com defasagem de no mínimo 45%, isenção de cobrança de tributos trabalhistas (que não são pagos na China), 15% de vantagem em média para desembarque nos portos de Vitória, Manaus e portos secos, taxa de juros de 2,9% ao ano, contra 3,5% pagos pela indústria brasileira e subfaturamento.



Em contrapartida, a indústria brasileira faz algumas reivindicações: que os testes do Inmetro sejam feitos no Brasil; um veto à possibilidade de uso do mecanismo do preço de transferência, que gera empregos na China; a alíquota de importação reduzida a 2% para peças e partes para fabricação de brinquedos; o desembarque exclusivo pelo porto de Santos com mercadorias tributadas na liberação e o cancelamento da licença, por 10 anos, para o importador que sonegar, entre outras.


“Não permitiremos que a história do mercado brasileiro de brinquedos seja perdida”, avisa Batista da Costa. O executivo explica que o posto de país mais antigo na fabricação de brinquedos antes era ocupado pela Alemanha, que começou a produção há 75 anos - como os alemães paralisaram a produção há 10 anos, essa marca passa agora a ser mantida pelo Brasil.