Tele quer produções independentes para seu novo serviço de VOD, TV sob demanda, pela rede de fibra óptica
Plano da operadora é oferecer o novo serviço pela pela sua rede de fibra óptica
Conteúdo brasileiro independente e sob demanda. Essa é a nova pedida da Telefônica, que está em busca de atrações para oferecer no seu serviço de IPTV (televisão sobre o protocolo de internet). O novo produto será oferecido pela sua rede de fibra óptica, independentemente do serviço Speedy, com capacidade de banda de 30 mega.
Para esta oferta chamada como VOD (video on demand) ou SBOV (subscription video on demand), que não se configura em serviço de TV por assinatura convencional – já que os conteúdos não serão caracterizados como canais de transmissão contínua 24h, mas sim de atrações específica - e portanto não se enquadrando dentro das exigências estabelecidas pela Lei do Cabo, a tele está montando um grande portfólio de fornecedores. A busca é por conteúdo já pronto, fornecido tanto por players internacionais, como os grandes estúdios, como de desenvolvedores de conteúdos locais independentes.
Na semana que antecedeu o Carnaval, a tele já reunira num workshop as principais produtoras independentes do mercado nacional – que estão reunidas na Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão, ou ABPI-TV – para mostrar seu novo serviço de oferta de conteúdo audiovisual, explicando como ele que não tem nada a ver com as atuais ofertas de suas empresas subsidiárias, como o Terra (internet) ou as empresas de televisão por assinatura (serviço por cabo, dia TVA, ou sua operação própria de DTH).
O serviço está em parte sendo apresentado no site da operadora, dentro do Fibra TV, com a assinatura de uma “locadora virtual”. Naquele encontro, o nome provisório apresentado para o novo VOD foi “Gaia”, um serviço de assinatura a partir de um preço popular, na faixa de R$ 30,00/mês e sem necessidade de decodificador. Na Argentina, por exemplo, onde a TV por fibra também já estreou, a marca utilizada é On Video. O Chile também já conta com a oferta.
NetFlix vem aí
O avanço da Telefônica tem ao menos uma boa explicação. Há um gigante e lucrativo serviço de distribuição de conteúdo online pago que avançou vertiginosamente no mercado norte-americano e sacramentou a morte da locadora Blockbuster, chamado NetFlix. A empresa anunciou que vai começar também a produzir seu próprio conteúdo, a exemplo do que faz a HBO norte-americana. A empresa cresce tanto nos Estados Unidos que até o Facebook quer criar um serviço concorrente, e já fechou com um grande estúdio, Warner Bros., para oferta de alguns títulos.
Pois já há quem diga que a entrada da NetFlix no mercado mexicano anunciada recentemente denota a eminência de sua vinda também para a América do Sul, o que não deixaria de fora seu mercado mais atraente, o Brasil. Da mesma forma, o iTunes, que também expandiu sua loja virtual para a fronteira mais próxima aos sul dos Estados Unidos.
Uma única empresa brasileira de telecomunicações está atenta a estes movimentos e se move a passos largos para não perder espaço em disponibilização de conteúdos audiovisuais ou sonoros por meio da sua plataforma digital.
E esta empresa é mesmo a Telefônica, que já ampliou seu serviço de música online, o Sonora, propriedade da subsidiária Terra, precavendo-se ante a chegada do iTunes. E com o novo produto de VOD, a tele também se antecipa ao NetFlix com a vantagem inquestionável: por aqui, é detentora da rede no maior mercado do País.
A Telefônica tem 3 milhões de assinantes de banda larga e um total de 8 milhões de clientes – obviamente, sem contar os 60 milhões de clientes Vivo.
Na semana passada, durante o Rio Content Market, a executiva a cargo dos negócios de programação da Telefônica nos seus serviços de TV por assinatura (cabo e satélite), Maria de Fátima Garcia, apresentou numa rodada de negócios com os produtores independentes de TV o que busca no mercado.
Disse que a empresa só vai trabalhar com conteúdo pronto, portanto, sem produzir nada, e também não exigirá nenhuma exclusividade. “Esta evolução do vídeo corresponde a uma quebra de paradigmas para uma empresa de telecomunicações”, disse a executiva, lembrando que hoje os clientes estão mais inteligentes e querendo o controle total sobre o que assistem.
A Telefônica se diz bem preparada para enfrentar este novo ambiente. Serviço similar na Espanha já conta com mais de 600 mil clientes. No Brasil, afirmou Fátima aos produtores, o modelo de negociação pode ser de revenue share e também a venda de publicidade. Depois desta, a próxima plataforma para o conteúdo via Telefônica será o celular 3G. Mas esta já é uma outra história.