Editora lançará álbum da edição 2011 da Copa América com envelopes à prova de cópias. Filial brasileira será responsável por produção, impressão e distribuição em toda a América Latina
Copa América 2011 será um dos temas de álbuns de figurinhas a ser lançado neste ano
O maior lançamento deste ano da Panini será o álbum da Copa América, que terá 348 cromos com as 12 seleções que participam da edição deste ano na Argentina. O álbum e as figurinhas estão previstas para chegarem às bancas brasileiras no início de maio, mas a distribuição deve começar um mês antes nos demais países latino-americanos por conta da pirataria e legislações locais mais tolerantes quanto à questão dos direitos.
"Os pacotinhos terão um formato à prova de cópias”, explica Severo Martins, presidente da Panini no Brasil. Em outra frente, o alvo mais específico da Panini é a editora peruana Navarrete, que produz álbuns sem pagar direitos por conta de uma lei no país que caracteriza a publicação como produto jornalístico. A tentativa de distribuição do produto no Brasil em 2007 teve como resultado uma ação judicial movida pela Panini que acabou em busca e apreensão do material. O atrativo do álbum peruano eram os jogadores da seleção mexicana, que não cederam os direitos à Panini na ocasião.
Severo Martins afirma que foram assinados contratos com todas as federações, inclusive da seleção japonesa (convidada especial da organização), e jogadores, com intermédio da Traffic, organizadora e detentora dos direitos comerciais da competição. Existe um trabalho em curso de atrair para o álbum páginas de anúncios com alguns dos principais patrocinadores da competição como Santander, LG, Kia, Petrobras, Inbev, Mastercard, Seara e Canon, entre outros. Toda a produção de figurinhas e distribuição na América Latina será feita pelo Brasil; mas o design do álbum é assinado pela matriz, em Modena, na Itália, que este ano comemora 50 anos de seu primeiro álbum de futebol.
Armistício das figurinhas
Enquanto as emissoras de TV, os clubes e o Cade se desentendem por conta do modelo de comercialização para os direitos de transmissão do campeonato brasileiro do triênio 2012 – 2014, a Abril e Panini não têm boa recordação do duelo que travaram entre 2007 e 2009 por conta da disputa pelos direitos de imagem dos clubes para a produção de álbuns de figurinhas.
Naquele período os colecionadores dos álbuns de figurinhas do campeonato brasileiro se depararam com a inusitada situação de ter que colecionador duas edições. Tudo por causa da iniciativa do Grupo Abril de investir em acordos de exclusividade com alguns clubes, desfalcando dessa forma o álbum produzido pela Editora Panini desde 1996 com todos os clubes da primeira divisão.
Depois de três anos de racha, porém, as editoras Abril e Panini chegaram a um acordo no ano passado com a edição de 2010 voltando a ter todos os clubes das séries A e B. Numa nota explicativa dentro do expediente da publicação, a Panini explica que os direitos referentes a Atlético-PR, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo e Santos foram sublicenciados pela Editora Abril. “As duas editoras decidiram encerrar a disputa priorizando o interesse dos colecionadores, que eram os mais prejudicados com aquela situação”, explica José Severo Martins, presidente da Panini. Pelo acordo, cujos detalhes financeiros são mantidos sob sigilo, a Abril se tornou parceira da publicação contribuindo inclusive com sua divulgação e, provavelmente tendo direito à alguma participação nas vendas.
Mas antes de assinarem o armistício, as duas editoras e os clubes amargaram as consequências do racha. As duas publicações lançadas pela Abril em 2007 e 2008 com apenas seis clubes tiveram resultados modestos, assim como os álbuns da Panini entre 2007 e 2009 também ressentiram as ausências de Botafogo, Corinthians, Cruzeiro e Santos, clubes que tinham assinaram exclusividade com a Abril.
“A divisão prejudicou as vendas dos álbuns e a visibilidade de clubes e atletas”, recorda Severo. Para ele, a situação foi causada pela ausência de uma liga de clubes no Brasil que centralize a comercialização de direitos, como acontece na Espanha e na Itália, exemplos citados por Severo Martins. No Brasil, as negociações são feitas clube a clube, jogador a jogador, com situações curiosas como as ausências de Romário e Rogério Ceni em algumas edições, por estes não concordarem com os valores oferecidos pela Panini. “É um processo muito mais trabalhoso no Brasil”, lamenta.
Até o fechamento desta edição, a Abril não retornou à solicitação de entrevista do Meio & Mensagem. A Abril já havia sido parceira da Panini entre 1989 e 1995, quando publicaram juntas os álbuns do brasileiro e das Copas do Mundo disputadas no período, antes da Panini partir para voo solo.