Participante vencedora era a campeã de menções positivas no Twitter; Globo comemora o faturamento do reality
Com o recorde de faturamento entre todas as edições anteriores – cujo valor a Globo mantém em segredo, mas as estimativas apontam que tenham ultrapassado a marca dos R$ 300 milhões – a décima primeira saga do Big Brother Brasil teve seu último capítulo apresentado na noite desta terça-feira, 29.
Fazendo de mais um anônimo um milionário – desta vez, a grande vencedora foi a atriz Maria Melillo – o programa termina cumprindo (e superando) as expectativas comerciais da emissora e ressaltando a consolidação de um diferente hábito de consumo do reality show – o que, de certa forma, pode explicar os números de ibope mais baixos registrados pela emissora nesta edição. Hoje, o Big Brother Brasil não é somente um programa de TV aberta, mas um produto também consumido na TV á cabo, na internet e, sobretudo, nas redes sociais.
“A questão da diminuição da audiência, de que tanto se fala, é mais complexa do que parece ser. Em comparação numérica, os dados do ibope dos programas de hoje são menores do que os registrados no Painel Nacional de Televisão há dez anos, por exemplo. Mas é preciso considerar que o aumento populacional levou também à um incremento do número de domicílios presentes em cada ponto no Ibope. Ou seja, um ponto, hoje, representa mais casas do que antigamente”, explica o diretor geral da TV Globo, Octávio Florisbal.
Apesar da justificativa, o executivo não deixa de admitir que os programas da emissora - como o BBB - competem com a concorrência, com a internet e com as demais mídias, mas não julga que isso diminua a repercussão e o alcance das atrações. Um bom exemplo dessa nova fase de consumo de audiência está na própria exibição da final do BBB 11 que, em comparação com as outras dez edições, teve o mais baixo desempenho número no ibope: 30 pontos de média, de acordo com cálculos prévios. A grande final do primeiro BBB, por exemplo, marcou 59 de audiência. A audiência deste ano ficou mais de dez pontos abaixo da do ano passado, quando a Globo conseguiu a marca de 41 pontos.
Força do Twitter e torcida da Maria
Mesmo com a suposta queda, a final do BBB 11 mobilizou o Twitter e as redes sociais na noite dessa terça-feira. Mais da metade dos Trending Topics do Brasil se referiam ao programa e aos candidatos vencedores. “Durante todo o período em que o programa ficou no ar, contabilizamos um total de 4 milhões de tuítes relativos ao BBB. Isso representa um aumento de 2.304% em comparação com o ano passado. Claro que o número de usuários do microblog hoje é imensamente maior do que há um ano, mesmo assim é uma marca significativa”, analisa Maria Carolina Cintra, sócia-fundadora da empresa Kingo Labs, que desenvolveu a ferramenta Kingo Meter BBB, para medir a aceitação dos patrocinadores, das marcas e dos participantes do BBB.
Segundo ela, existe uma parte do reality show que acontece somente nas redes sociais e que vem tomando cada vez mais força. A vitória da participante Maria – cujo estereótipo foge do estilo dos ganhadores das edições anteriores - confirmou essa percepção. Nas últimas semanas, a atriz foi a campeã de menções positivas no microblog (73% dos tuites relativos à Maria eram elogiosos). “Sabemos que a audiência da massa é muito mais abrangente do que o nicho do Twitter, mas a vitória da Maria confirma a importância da análise e do uso das redes sociais como um termômetro”, pondera Maria Carolina.
Já para as marcas, se o princípio é chamar a atenção, o BBB continua representando uam boa alternativa. "Os internautas comentam, fazem piada e falam bastante dos patrocinadores e das ações. Acho que, em um investimento como esse, até a máxima do 'falem mal, mas falem de mim', deve ser considerada pelos anunciantes", opina a sócia da Kingo Labs.