Dia foi movimentado para o imbroglio sobre transmissão do Brasileirão: Corinthians e Vitória anunciaram contrato com a Globo e Senado Federal avisou que vai entrar na discussão
Daniel Zappe/VIPCOMM Imbroglio continua: agora, até o Senado deve entrar na discussão
A novela sobre os direitos de transmissão para as próximas edições do Campeonato Brasileiro de Futebol teve uma terça-feira agitada. Nos últimos capítulos, Coritiba e Cruzeiro, Vitória e Corinthians anunciaram oficialmente que já negociaram seus contratos com a Rede Globo.
A decisão coloca por terra a licitação realizada pelo Clube dos 13 na semana retrasada, quando a RedeTV ofereceu R$ 516 milhões aos clubes, e a esperança da Record em contar com os principais times - a emissora registrou em cartório uma proposta de R$ 100 milhões pela transmissão dos jogos de Corinthians e Flamengo como mandante.
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O anúncio do Corinthians, que afirmou em seu site oficial ter "a certeza de que assinou o melhor contrato da história do clube de Parque São Jorge", que fez a escolha não apenas por "fatores financeiros" mas também pelos "aspectos técnicos" e que "a proposta pública feita pela TV Record exige do Corinthians algo que, segundo a lei vigente, o clube não tem o direito de comercializar", gerou uma resposta da emissora de Edir Macedo.
Nele, a Record afirma "surpresa diante da informação", salientou o fato do clube ter assinado um contrato por "um valor não relevado", critica a "suposta cortina de fumaça da dita confidencialidade" - já que os clubes e a Globo afirmam que não irão revelar os valores da negociação - e que "novamente, fomos surpreendidos pela alegação do clube paulista de que nossa proposta de R$ 100 milhões pelos direitos de transmissão em televisão aberta por cinco anos poderia ferir a legislação atual".
O Senado Federal não ficou de fora: um requerimento da senadora Lídice da Mata (PSB/BA) foi aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) da Casa. Com isso, uma audiência pública, ainda sem data definidia, debaterá o tema, com a presença de executivos do esporte e dos grupos de mídia. "Precisamos tentar exercer o papel de mediadores", sugeriu a senadora.
Depois de tantos fatos, a expectativa recaiu sobre o Clube dos 13. Novos envelopes, com as propostas para plataformas de TV fechada, pay-per-view, internet e telefonia celular, seriam abertos nesta quarta-feira 23. Mas o grupo resolveu adiar a reunião, "para evitar que a licitação fosse realizada sob circunstância economicamente desfavorável aos interesses dos nossos associados e dos torcedores brasileiros".
No comunicado, ainda, afirma que "a entidade reitera publicamente sua preocupação de cumprir fielmente o Termo de Compromisso de Cessação celebrado com o Cade em outubro passado" e que "o próximo passo do Clube dos 13 será cumprir seu dever de oficialmente informar ao Cade e às autoridades públicas competentes todos os passos tomados para promover a livre concorrência entre as empresas que desejem participar desse importante processo para valorizar o futebol no Brasil, inviabilizado neste momento por conta da censurável conduta da Rede Globo de boicotar a licitação e procurar os clubes individualmente".
Por último, um suspiro da entidade: "a entidade renova sua esperança de que as autoridades restabelecerão a ordem e exigirão dos responsáveis pela lamentável exposição negativa de nossa maior paixão as respostas que a sociedade brasileira ansiosamente espera".
Agora é esperar os novos capítulos, quando mais clubes decidirem - ou não - acertarem seus contratos com a Globo ou com a Record.