quarta-feira, 30 de março de 2011

Bradesco indicará economista para dirigir a Vale

O banco deve apresentar no dia 1º o nome de Tito Martins para assumir a presidência. Em disputa está o controle sobre a empresa de menor risco do mundo, cujo lucro recorde foi de R$ 30 bilhões em 2010


O Bradesco indicará na sexta-feira 1º o economista Tito Martins para assumir o posto ocupado atualmente por Roger Agnelli, presidente da mineradora Vale. A informação, veiculada na edição desta quarta-feira, 30, do jornal Folha de S.Paulo, seria a saída proposta pelo banco para acomodar os interesses dos sócios no negócio, o governo federal e a trading japonesa Mitsui, que teria optado por uma postura neutra na disputa sobre o controle da empresa.

Com 115 mil funcionários, a Vale obteve no ano passado lucro recorde de R$ 30 bilhões, 42% acima do resultado registrado no ano anterior e o "melhor de toda a história da indústria de mineração", conforme a própria companhia afirmou durante a divulgação dos números. Hoje, a Vale é considerada a empresa de menor risco do mundo, cujo crescimento acelerado está diretamente ligado à demanda crescente dos países emergentes, em especial a China, por matérias-primas.

Nos últimos anos do governo Lula, intensificaram-se as críticas de autoridades do primeiro escalão à gestão de Agnelli, ex-executivo do Bradesco, que, em busca de maior rentabilidade no curto prazo, privilegiou os projetos de exportação de minério de ferro, item de baixo valor agregado, em vez de investir em siderurgia, o que ampliaria o valor das exportações brasileiras.

O governo também pressionou para a empresa investir na exploração de fertilizantes, um item que pesa na pauta de importações do País. Executivo com longa carreira na companhia, Tito Martins é atualmente presidente da subsidiária canadense da Vale, a Inco, onde a empresa enfrentou no ano passado uma longa greve dos funcionários, que queriam a garantia de empregos.