sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

TVs lucram com eventos esportivos

Faturamento das emissoras com cotas de patrocínio de transmissão deve crescer, em média, 30% em 2011

Divulgação Crescimento médio do faturamento neste ano será da ordem de 30%
Com a definição do Brasil como sede da Copa do Mundo Fifa de 2014 e do Rio de Janeiro como palco dos Jogos Olímpicos de 2016, o esporte entrou definitivamente na pauta nacional e aumentou o interesse dos anunciantes em associar suas imagens aos eventos esportivos. Como as oportunidades para patrocinadores oficiais são escassas e ainda faltam alguns anos para as competições, as empresas aproveitam outros torneios para estreitar os laços com o esporte e os fãs.

Como consequência deste movimento, as emissoras de TV têm ampliado seu faturamento com as cotas de transmissão. Segundo levantamento feito pela reportagem de M&M Online junto a canais abertos com programação esportiva, e fechados especializados no tema, o crescimento médio do faturamento neste ano será da ordem de 30%.

"Está bem mais fácil negociar cotas de patrocínio depois do anúncio da Copa e das Olimpíadas no Brasil, pois as empresas passaram a analisar com maior interesse a ideia de associar suas marcas ao esporte, seja através de patrocínios, apoios ou até mesmo de projetos de inclusão social. Temos pela frente seis anos onde o assunto esporte será predominante em todos os níveis", aponta Alexandre Bortolai, diretor comercial dos canais temáticos do Grupo Bandeirantes, que espera que o BandSports cresça 16% neste ano.

"O mercado sabe que o esporte é a grande oportunidade do momento e dos próximos anos para engajamento emocional com o público brasileiro. Isto se reflete evidentemente em toda a cadeia de valor ligada ao assunto. A demanda é crescente e este fenômeno só tende a se acentuar nos próximos anos", afirma Pedro Garcia, diretor de negócios da Globosat.

Para Sergio Lopes, vice-presidente comercial do Esporte Interativo, único canal aberto totalmente dedicado ao tema, os segmentos de telecom, bancos e cerveja puxaram a demanda por oportunidades de patrocínio. "Vimos muito aumento de interesse. Primeiro, as batalhas aconteceram na disputa do patrocínio dos eventos, e agora vemos uma grande procura pelas cotas de transmissão, tanto de futebol quanto de esportes olímpicos. Em breve, seguros, montadoras e bebidas em geral também devem entrar nessa briga", projeta. Em 2010, a emissora cresceu 100%, e a meta para este ano é de atingir a casa de 70%.

A promessa de grande exposição tem atraído, inclusive, anunciantes pouco acostumados a investir na plataforma. "Cresceu significativamente o interesse e o número de anunciantes que não tinham seu marketing voltado para o futebol. Só na transmissão esportiva, devemos crescer 15% em relação ao ano passado", conta Marcelo Mainardi, diretor executivo comercial da Bandeirantes.

Para Otaviano Pereira, superintendente comercial da RedeTV!, o esporte sempre foi um conteúdo de grande interesse pelos anunciantes. Porém, com a programação de Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, o interesse vem aumentando sensivelmente. "Não bastasse a importância natural do esporte, os dois grandes eventos passaram a gerar efeitos positivos na economia desde a sua confirmação", conta, projetando crescimento de 30% nas receitas com as transmissões.

O interesse dos anunciantes em se associar ao esporte tem extrapolado o simples patrocínio e vem abrindo espaço para ações especiais. "Temos uma carteira muito relevante de clientes que não são somente anunciantes, mas parceiros comerciais de longo prazo. Podemos mencionar Ambev, ou a própria Allianz, com quem fizemos uma promoção para levar dois fãs de esportes para assistir a um jogo do campeonato Alemão, no Allianz Arena do Bayern de Munique", cita Carlos Maluf, gerente de aquisições da ESPN, que trabalha com meta de crescimento de dois dígitos para 2011.

Com o clima olímpico na terra do futebol, outras modalidades esportivas veem ganhando espaço nas grades de programação das emissoras e atraindo novos patrocinadores. "O público brasileiro vem ampliando cada vez mais o seu interesse por outras modalidades além do futebol, vôlei e Fórmula 1. Dessa forma, cada um destes campeonatos representa ao mercado anunciante uma grande oportunidade para veicular suas marcas em eventos que contam com audiência cativa e crescente", analisa Fred Müller, diretor executivo comercial da Globosat.