terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Nova lata de Diet Pepsi gera polêmica nos EUA

Inspirada no mundo da moda, embalagem "magérrima", foi considerada ofensiva pela Associação Nacional de Distúrbios Alimentares

Nova lata da Pepsi, no centro da discórdia.
É difícil imaginar que uma marca do tamanho da Diet Pepsi tenha gasto apenas US$ 500 mil em mídia verificada somados os investimentos dos últimos três anos. Mas é exatamente isso o que aconteceu.

Com o foco em programas como o Refresh Project e em marcas como a Pepsi Max, a Diet Pepsi foi colocada de lado. A marca tem sido incluída nas campanhas institucionais da companhia, mas já se vão quatro anos desde que a Diet Pepsi recebeu atenção exclusiva pela última vez. De acordo com a Kantar, a marca investiu R$ 63 milhões em mídia verificada em 2006, menos da metade disso em 2007 e apenas meio milhão de dólares desde então.



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Surpreendentemente, as vendas têm se mantido estáveis apesar das tímidas verbas publicitárias. Segundo a Beverage Digest, ainda que o volume de vendas tenha caído, o decréscimo está em linha com o que vem acontecendo na categoria de refrigerantes diet de cola.

"Não é que não tenhamos investido em Diet Pepsi, mas todo mundo relaciona (o Refresh Project) à Pepsi", diz Ami Irazabal, diretora de marketing da Pepsi. "Vamos voltar a falar com nossos consumidores. Temos nossos seguidores leais que formam um grupo com personalidade específica. Queremos estar certos de estabelecer com eles uma comunicação em nível um-a-um."

Com esse objetivo, a marca está lançando uma nova embalagem, a lata Skinny (algo como "magérrima", em português) e construindo em torno disso um grande programa de marketing, programado para ficar no ar ao longo de 2011. A lata se tornará parte do portfólio permanente da Diet Pepsi.

"O desafio é mostrar que a embalagem é um modo legítimo para se fazer marketing", diz Ami. "Às vezes as pessoas pensam em inovação como uma maneira de se mudar o que há dentro (da embalagem). Mas, em minha opinião, a inovação pode ser uma maneira diferente de se celebrar o que está dentro."

A nova lata estará disponível nos Estados Unidos a partir de março, e terá o suporte de uma boa variedade de mídias, incluindo impressas, out-of-home, TV e digitais. Segundo Ami, a modelo e atriz Sofia Vergara, da série Família Moderna, aparece em peças impressas e out-of-home pré-lançamento, e está entre as possibilidades, junto com outras personalidades, analisadas para os filmes de TV. Ela se negou a comentar o investimento em marketing na ação, mas classificou-o como "substancial". A TBWA/Chiat/Day, de Los Angeles, está trabalhando na campanha.

Uma grande quantidade de parcerias e promoções no varejo fazem parte do esforço. Uma promoção que dá aos consumidores US$ 5 de desconto na rede Target na compra de um pacote de quatro latas Skinny e um exemplar da revista People será lançada no final deste mês. E a Diet Pepsi foi a principal patrocinadora da Semana de Moda de Nova York, na qual a lata foi apresentada como um item fashion e distribuído para as equipes de estilistas que frequentam os desfiles.

Mas a ação não escapou das controvérsias. A Associação Nacional de Distúrbios Alimentares (NEDA) soltou um press release dizendo "se sentir ofendida" pela ideia. "A Pepsi deveria se envergonhar de declarar que a magreza excessiva é para ser celebrada", afirma Lynn Grefe, presidente e CEO da NEDA. Diversos blogs também condenaram a lata Skinny e um press release da companhia que chamou a lata de "magérrima" e "atraente".

A diretora de marketing da Pepsi diz que esperava a reação negativa de algumas pessoas à lata Skinny, acrescentando ter sido esse um dos tópicos debatidos entre a sua equipe e um conselho de cultura pop (grupo formado por estilistas e designers que ajudaram na elaboração do conceito e das ações relativas ao novo lançamento). Por conta dessas discussões, Ami afirma estar segura ao responder às críticas. "É a nova forma de um produto. Não estamos falando das formas de uma mulher", diz.

Eric Gustavsen, sócio-fundador da agência de criação Graj & Gustavsen, que não tem qualquer ligação com o projeto, diz esperar que a polêmica desapareça rapidamente. "É mais uma ideia divertida do que depreciativa para um grupo", diz. Ele espera que os consumidores irão comentar sobre a novidade por ser algo moderno. "O conceito é simples e direto o bastante para ter um apelo de massa. É bacana e diferente. Isso não significa que redefinirá o molde certo para uma embalagem de refrigerante, mas não há nada errado em quebrar a rotina e experimentar algo novo."