Desafio será acompanhar a variação dos preços. Inflação pode reduzir ímpeto de compras
Os setores de alimentos, bebidas, fumo e calçados deverão continuar a puxar a demanda por embalagens no País, de acordo com pesquisa anual realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas. O desafio colocado será acompanhar com lupa a variação dos preços, diante da possibilidade de a alta recente da inflação reduzir o ímpeto de consumo das famílias de menor renda.
Por ora, garante o economista Salomão Quadros, professor responsável pelo índice de inflação da FGV, esse cenário é o menos provável. "É possível que a demanda da classe C seja afetada pela inflação, já que parte do ajuste pelo qual passa a economia brasileira pode afetar um pouco as famílias de mais baixa renda. Mas não será nada catastrófico. O salário-mínimo, por exemplo, terá a correção que ao menos repõe a inflação passada", avalia Quadros, responsável pela pesquisa anual que mapeia o desempenho e as perspectivas da indústria de embalagens no País, um termômetro importante do andamento da economia como um todo.
Para o economista da FGV, o governo precisará contar com uma série de fatores para repor a inflação no seu curso normal, próximo à meta de 4,5% ao ano. "Esperamos que o ajuste seja o mais suave possível para afetar o mínimo possível a renda das famílias. É preciso habilidade extraordinária para reduzir a inflação sem impor um sacrifício muito grande", avalia.
De modo geral, o setor de embalagens está otimista com 2011, a despeito da alta da inflação e da recente elevação do preço do petróleo, uma importante matéria-prima para as empresas do setor. O cenário favorável projetado pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), estima uma taxa anual de crescimento da produção de 2,17%, ante 10% registrados no ano passado.
O cenário menos otimista leva em conta a possibilidade de as medidas de combate à inflação adotadas se mostrarem ineficientes, o que obrigaria o governo a reduzir ainda mais a demanda privada. Nesse caso, a estimativa para a produção de embalagens, segundo a pesquisa da FGV, seria uma retração de 0,84%.
"O risco de inflação nos obriga a levar em conta esse cenário contingencial, ainda menos provável. O Brasil passou da atrofia total do crédito, mas nos últimos cinco ou dez anos esse mercado cresceu muito. Temos inflação de demanda combinada com a alta das commodities agrícolas e do petróleo, por isso a questão inflacionária é preocupante. Pelo quarto ou quinto ano, estamos com dificuldade de cumprir a meta de 4,5%."