terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Colaboradores do HuffPost refutam venda para AOL

Os blogueiros e contribuintes não-remunerados do site reclamam e querem parte do negócio


Estima-se que a fundadora do Huffington Post, Arianna Huffington, ganhará US$ 100 milhões com a venda do site para a AOL, numa transação divulgada de US$ 315 milhões. A questão principal, no entanto, é outra: os mais de 6 mil colaboradores não-remunerados que alimentam diariamente o HuffPost querem suas respectivas partes nesse negócio.

O comediante Andy Borowitz, cujos textos são publicados pelo Huffington Post, postou uma série de tweets nos quais zombou do negócio. “Minha parte da venda do Huffington Post, zero dólar, foi um pouco decepcionante”, escreveu. E continuou: “O chefe da AOL disse que o negócio com o HuffPo é como ‘1 + 1 = 11’. É bom saber que eles analisaram os números”, ironizou.

Tara Dublin, uma colaboradora de desempregados de Portland para a seção comédia do HuffPost afirmou que, embora adore a exposição que obtém a partir do site, também ela crê estar capacitada para partilhar “os despojos”. Um blogueiro cobrou diretamente e até sugeriu um valor simbólico: “Minha postagem mais recente foi a 15ª. para o Huffington Post. Se tivessem sido impressos para artigos de revista, o que eu ganharia? Mesmo se fosse US$ 50 por postagem já ajudaria”.

Adam Siegel, que tem um blog sobre energia, disse que antes, para ativistas ou CEOs sem fins lucrativos, praticamente os colaboradores pagavam pela exposição. “Mas, agora, nos casos em que o Huffington Post recrutar alguém, parece fazer sentido que eles considerem alguma forma de pagar, ainda que nominal”, afirmou. “Quando era apenas o HuffPo, eu era feliz em contribuir de forma gratuita porque parecia que esse projeto era grande e novo, como se eu fosse parte de algo importante. A dimensão corporativa reduz esse espírito. Também estou ciente de que, como já promoveram meu nome, eu poderia trazer negócios para a AOL que eles não teriam de outra forma. Sinceramente, é 100% certo que eu não farei isso de graça por um gigante corporativo”, refutou Mya Guarnieri, que contribui para a seção mundo do site a partir de Tel Aviv.

Arianna não tem respostas para essas questões e tampouco afirmou se os mais de 6 mil contribuintes não-remunerados começarão a receber cheques como outros jornalistas. Por outro lado, a recém-coroada magnata da mídia disse que “a única mudança real é que os colaboradores notariam é que mais pessoas lerão o que vocês escrevem”. Se for esse o caso, não está claro como colaboradores não-remunerados do HuffPost trabalharão com jornalistas da AOL, alguns dos quais recebem entre US$ 60 mil a US$ 100 mil por ano, disse um executivo da AOL ao The Daily. Mas, prevê o executivo, a AOL terá que realizar grandes cortes, especialmente para justificar o preço de compra de US$ 315 milhões que pagou pelo HuffPost. “A AOL terá de ser uma empresa muito menor”, afirma.

Na apresentação da aquisição para a SEC (a CVM norte-americana), a AOL garantiu que as ameaças de demissões serão resolvidas imediatamente após a aquisição: “A AOL pagará US$ 10 milhões a associados com opções de ações que serão adquiridas após o término da aquisição”, informou a empresa. Tanto a AOL quanto o Huffington Post não responderam, no entanto, aos questionamentos sobre as demissões que poderão, efetivamente, ocorrer.