sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O “emagrecimento” da TV Cultura

Presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, declara que apenas 30% da grade da emissora será preenchida com programas próprios


Apenas os programas infantis e aquelas atrações consideradas símbolo do canal – como o Roda Viva, por exemplo – irão sobreviver na grade da TV Cultura. A emissora, mantida pela Fundação Padre Anchieta e que vem sofrendo um corte de gastos e uma redução em sua estrutura desde o ano passado, irá ampliar o espaço das produções independentes e se voltar somente a produção daquilo que marcou a sua tradição.

Segundo entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, declarou que foi implantado um programa de redução extrema das atividades da emissora e que será mantido somente as atividades e departamentos que tiveram ligação direta com a programação.

Uma dessas medidas é a não-renovação dos contratos da Fundação com a TV Justiça e TV Assembleia, que resultam no corte de 285 funcionários. Segundo o presidente, essas pessoas deverão ser realocadas. Afora esse corte, a Fundação enfrente um problema de passivos trabalhistas que podem resultar em uma dívida de R$ 160 milhões Para evitar esse rombo, uma consultoria jurídica foi contratada.

A TV Cultura deverá fazer editais, ao longo de todo o ano, para adquirir programas independentes, que preencherão 70% de sua grade. Outras medidas que o presidente promete é uma readequação completa da estrutura de programação da casa, que deve eliminar atrações de baixa audiência. Para verificar a viabilidade das atrações, serão analisados cinco fatores: custo, audiência, share, repercussão e “diferença” (que significa a existência de atrações similares). Neste ano, a previsão é de que o governo do estado de São Paulo repasse R$ 84 milhões para os trabalhos e projetos da casa.