Por temer uma reação negativa do Estado e dos empresários dos transportes, as empresas Fastmidia e Objectif desistiram de veicular as peças da Atea
Peças mostram que o caráter humano não está necessariamente ligado à religião
A campanha publicitária promovida pela Associação Brasileira dos Ateus e Agnósticos (Atea) – que pretendia espalhar cartazes em ônibus das cidades de Salvador e Porto Alegre está suspensa. Segundo a própria organização, na tarde de sexta-feira 10, quando tudo estava preparado para a colocação das peças, as duas empresas de mídia responsáveis pela ação desistiram do projeto.
Segundo nota publicada no site oficial da Atea, as duas empresas desistiram da veiculação por receio da repercussão da campanha publicitária. O presidente da organização, Daniel Sottomaior, revelou a reportagem de M&M Online que as empresas de mídia responsáveis pela ação eram a Fastmidia, em Salvador e a Objectif, em Porto Alegre.
Segundo a nota do site, a empresa da capital baiana declarou que desistiria do projeto por conta de possíveis reclamações do Estado e também dos proprietários das empresas de ônibus da cidade. Já a notícia referente a empresa de Porto Alegre aponta que a ação foi barrada na cidade.
A campanha
A ideia da associação era, a partir desta segunda-feira 13, veicular peças em cinco ônibus de Salvador e dez ônibus de Porto Alegre sugerindo às pessoas que questionassem suas crenças e respeitando a liberdade religiosa. Segundo a Atea, a campanha não tem o objetivo de provocar uma descrença em massa, mas sim de lutar pela igualdade de opinião e pela aceitação na sociedade daqueles que não creem em uma entidade superior.
O conceito dos anúncios e a criação da identidade visual da campanha foram assinados pela agência Elefantte, localizada na cidade de Montes Claros, em Minas Gerais. Segundo o redator da agência, Neto Macedo, contribuir para uma causa desse tipo foi muito gratificante. Segundo ele, os conceitos criados para as peças tinham dois objetivos: mostrar que os ateus são pessoas comuns, assim como qualquer outra e também desconstruir a ideia de que as pessoas que creem em Deus tem um caráter melhor do que aquelas que não creem. “Tivemos muito cuidado para não ofender nenhuma crença religiosa, pois o objetivo das peças era unicamente o de promover a consciência de que o preconceito com os ateus é errado”, frisou Macedo.
A Atea não informou se existe a possibilidade de contratar uma nova empresa para a realização da campanha e quando as peças serão veiculadas.