Com a aprovação, bancos, varejo, times de futebol e outros segmentos poderão criar operações móveis sem rede para atender nichos
O conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou na quinta-feira 18 o regulamento sobre exploração de Serviço Móvel Pessoal (SMP) por meio de rede virtual. A partir dessa aprovação, novos prestadores, que não têm licença para uso de frequência para oferecer telefonia móvel poderão ingressar na oferta de serviços móveis por meio da rede de operadoras já estabelecidas. Assim, as potenciais operadoras móveis virtuais (MVNO, na sigla em inglês) poderão surgir da demanda de bancos, varejo ou qualquer outro segmento ou empresa que queira oferecer serviços móveis por meio de rede virtual.
A perspectiva da Anatel é que, com o regulamento, novos modelos de negócios relacionados à oferta de telefonia móvel possam ser aproveitados por eventuais interessados. Pelo regulamento da agência, serão dois os modelos de exploração de MVNO: credenciado da rede virtual, pelo qual a MVNO oferecerá o serviço móvel em conjunto com a operadora tradicional; e autorizada de SMP com rede virtual, modelo pelo qual uma prestadora tradicional, mas sem radiofrequência (ou faixa de frequência) poderá operar por meio de compartilhamento de rede com outra prestadora tradicional.
Em matéria publicada no Meio & Mensagem em julho passado, estudo da Amdocs apontava que na Europa, Ásia e EUA as MVNOs devem chegar, até o final deste ano, a mais de 100 milhões de usuários. Essas três regiões têm mais de 600 operadoras virtuais móveis. Ainda conforme a Amdocs, a previsão é que, até 2013, 150 milhões de pessoas sejam usuárias de MVNOs.
No Brasil , empresas como Carrefour (que já opera MVNOs na Europa) e Pão de Açúcar são potenciais MVNOs. Outro estudo, da consultoria Signals Telecom Consulting prevê que, no Brasil, 9,5 milhões de pessoas podem se tornar assinantes de operadoras MVNOs em cinco anos a partir do lançamento da primeira operadora virtual, com receita de R$ 1,8 bilhão.