Serviço será exclusivo e gratuito para o cliente de banda larga da operadora, com acesso ilimitado a músicas e videoclipes do catálogo da gravadora
A GVT lançou nesta terça-feira, 19, o Power Music Club, serviço de streaming de música, em parceria com a gravadora Universal Music. Embora ambas as empresas sejam controladas pelo grupo francês Vivendi, o vice-presidente executivo da GVT, Alcides Troller Pinto, diz que as negociações entre a operadora e a gravadora começaram muito antes da GVT ser adquirida pela Vivendi. Troller frisa que a parceria ora celebrada entre GVT e Universal Music não teve nenhum tipo de interferência da Vivendi e tampouco ingerência do grupo francês no sentido de forçar acordos comerciais entre ambas as empresas, GVT e Universal.
Portanto, ao contrário do que o mercado esperava, com a aquisição da GVT pela Vivendi, nem toda empresa do grupo será, necessariamente, fornecedora de conteúdo para a operadora. Por outro lado, a GVT negocia com mais de 30 fornecedores para fechar seu pacote de TV paga que deve começar a ser oferecido a partir do ano que vem. O grupo Vivendi também opera TV paga na França por meio do Canal +.
O serviço de streaming de música é a primeira investida da GVT no provimento de conteúdo. "Conteúdo desejado pela GVT desde que começamos a oferecer banda larga", reforça Troller. A GVT comemorará, ao final deste ano, dez anos de operação. Com 3,6 milhões de linhas em serviço, 1 milhão de acessos de banda larga (dos quais 60% são superiores a 10 Mbps), receita líquida de R$ 2,2 bilhões e operação em 17 estados e Distrito Federal, a operadora, por meio de pesquisas, constatou que o comportamento do usuário se pauta pelo consumo instantâneo de conteúdo. "Que não quer limite de upload ou de download", ressalta o vice-presidente da GVT. Como a música é o item mais demandado na internet - "mais do que sexo", destaca o presidente da Universal Music, José Éboli -, a GVT criou o Power Music Club.
Oferecido por meio de portal, o Power Music Club tem um gigantesco acervo - são mais de 5 milhões de músicas do catálogo internacional e mais de 300 mil do catálogo brasileiro - que será oferecido de forma gratuita ao usuário de banda larga da GVT. "Entre 2007 e 2009, o mercado de música digital (internet e mobile) cresceu mais de cinco vezes", afirma Éboli, da Universal. O acordo comercial com a GVT é a maior parceria já fechada pela Universal Music no Brasil. A gravadora tem mais de 3,5 mil artistas no catálogo e é uma das grandes gravadoras mundiais - tem 50% do market share digital mundial e, no Brasil, tem 47% do market share do air play (rádio), 46% do mercado digital e 25% do mercado fixo (álbuns).
Modelo de negócios
O modelo de negócios adotado entre a GVT e a Universal Music é um acordo comercial entre as empresas cujos detalhes não são revelados. Para a Universal, é mais uma forma "legal" de se consumir música, diz o presidente da gravadora. "Se não dermos alternativa barata ao público jovem, fica difícil combater a pirataria. Precisamos acabar com a ideia que os garotos de 15 anos têm de que a música é gratuita", argumenta Éboli. Nesse contexto, o cliente de banda larga da GVT, que paga acessos a partir de R$ 49,90 (3 Mbps), pode ter à sua disposição - e compartilhar - todo o catálogo digital da Universal Music, que inclui músicas e clipes de artistas como U2, Lady GaGa, Justin Bieber, Rihanna, Amy Winehouse, Sandy, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo, Bom Jovi, Caetano Veloso e Rolling Stones.
Para a divulgação do Power Music Club, a GVT lança campanha publicitária, desenvolvida pela Loducca, nas 93 cidades em que atua em todo o Brasil. A campanha vai ao ar pela TV aberta, mídia online, impressa e mídia outdoor e terá a duração de um mês. Depois disso, o serviço de streaming de música será incorporado pela oferta básica da operadora.
Posteriormente, o serviço de streaming deve ser evoluído, inclusive com ofertas para não-clientes da GVT, sinaliza o vice-presidente da operadora. E também para outros dispositivos. Embora não opere telefonia móvel, a GVT oferece acesso ao serviço inclusive pelo celular. O serviço da operadora equivale ao iTunes, da Apple, para a distribuição de conteúdos. Enquanto a Apple não libera o iTunes para o Brasil, o presidente da Universal Music diz que o Power Music Club é um meio de distribuir o conteúdo da gravadora no País. Pelo celular, no entanto, o serviço de streaming funciona em aparelhos equipados com Android (Google), mas não com iOS (iPhone/iPad), porque requer Flash (da Adobe), que não funciona em dispositivos da Apple.