Casal Obama reforça importância da participação das companhias no engajamento pelas causas sociais. Essa foi a mensagem de encerramento do sexto encontro anual da Clinton Global Initiative, em Nova York
Presidente Barack Obama participa do painel de encerramento do evento, ao lado do fundador da entidade, Bill Clinton
Toda vez que um presidente participa de um evento é sempre a mesma cena: um forte aparato policial, controle de entrada e saída de pessoas e detalhada checagem de bolsas. Quando a isso se soma atraso na programação, é normal que a audiência se aborreça. Mas no encerramento do sexto encontro anual da Clinton Global Initiative (CGI), na quinta-feira 23, ninguém parecia muito irritado com tudo isso. A razão era a expectativa pela chegada do presidente norte-americano Barack Obama, que faria uma breve apresentação antes de sua mulher, Michelle Obama, tomar o palco principal do fórum para transmitir sua mensagem.
Vindo da assembleia da ONU, Obama foi anunciado por Bill Clinton, fundador da entidade, com cerca de meia hora de atraso. Na plateia, além de executivos de grandes corporações, representantes de entidades e membros da CGI, estavam artistas como Geena Davis e Barbra Streisand – isso depois de o evento ter recebido, horas antes, os atores Ashton Kutcher e Demi Moore (que lançaram uma campanha contra a escravidão sexual de meninas, a ação “Real Men”, que tem apoio de gigantes da tecnologia como Microsoft e Twitter).
Obama foi saudado por Clinton como alguém que, como ele, considera que um programa de melhoria nas condições de vida das populações é bem sucedido se tem o apoio do setor privado. Em seguida, o presidente adentrou o palco e disse que voltava ao encontro da CGI (no ano passado, ele esteve lá) pelo incrível trabalho de Clinton. Obama pontuou que nos últimos cincos anos ele empreendeu grandes esforços para obter da audiência – especialmente, dos executivos de empresas – um montante equivalente a US$ 57 bilhões, somando-se todos os compromissos assumidos.
Depois, ele completou afirmando que tinha como papel naquele momento introduzir àquela seleta plateia sua melhor parte, a esposa e primeira dama dos EUA Michelle Obama. O presidente, então, recebeu Michelle e saiu do palco, enquanto Clinton permaneceu no local, como anfitrião do evento.
Michelle agradeceu a todos pela combinação de compaixão, altruísmo e o compromisso por resultados, marca dos projetos assumidos durante o encontro anual da CGI. “Nesta semana, vocês estão formando novas parcerias e estabelecendo novos compromissos, desafiando uns aos outros a fazer ainda mais. No encontro deste ano, o presidente Clinton pediu que vocês direcionassem seus esforços para um desafio sobre o qual vou falar. É uma das áreas de ação, que é elevar o potencial humano”.
O foco de Michelle esteve nos veteranos e nas famílias de militares, cujas habilidades ela considera subutilizadas. Sua preocupação é com a transição dessas pessoas, que atuam em diversas missões humanitárias, para a vida civil. A primeira dama observou que há 150 mil veteranos recentes que estão procurando trabalho. “É verdade que estamos enfrentando tempos econômicos difíceis. E estamos trabalhando duro para que todos os norte-americanos voltem a trabalhar depois de uma dura recessão. Mas nossos veteranos se deparam com um diferente conjunto de desafios ao deixar o serviço militar”, ponderou.
A primeira dama convocou os empresários a ajudar na busca por resolução desse problema. “Como todos sabem, o governo não pode sozinho fazer muita coisa. Por isso, estou aqui, para pedir ajuda.” Michelle sugeriu que as organizações e companhias considerem os veteranos e as esposas de militares para emprega-los em trabalhos que visem melhorias na vida das nações ou para cuidar de pessoas com deficiências, entre outras possibilidades.
Sob aplausos, Michelle deixou o palco. Clinton recebeu em seguida Bill Gates, o criador da Microsoft e cochair da fundação que ele chamou de “a melhor do mundo”. Gates explicou o que sua entidade, a Bill & Melinda Gates Foundation, tem feito na área da saúde e da educação. Nessa altura, a plateia já contava com dois Rolling Stones, Mick Jagger e Ron Wood, fato que foi salientado por Clinton.
No final, foi divulgado que o fórum da CGI chegou à marca de 1.950 compromissos assumidos, totalizando valores de US$ 63 bilhões, investimento que ajudará a melhorar a vida de 300 milhões de pessoas. E nesse clima de engajamento por todas as pontas – governos, entidades, setor privado e sociedade civil, entre elas celebridades -, fechou-se mais um ano do encontro da Clinton Global Initiative.
BrazilFoundation
Algumas horas depois, no Metropolitan Museum of Art, a BrazilFoundation, entidade que há oito anos promove jantares de gala para angariar fundos para programas sociais desenvolvidos no Brasil, recebeu convidados estrelados para a noite em que teve Nizan Guanaes como chair de sua festa anual. A meta era arrecadar US$ 2 milhões.
O chairman do Grupo ABC – holding que foi uma das patrocinadoras principais do encontro da CGI - reuniu pessoas como Roger Agnelli (Vale), a modelo Gisele Bündchen e o artista plástico Vik Muniz. O evento teve como patrocinadores Grendene, Itaú, JHSF – Shopping Cidade Jardim, Pantene e Vale, além da agência Africa e da TAM. Entraram como parceiros os veículos Folha de S. Paulo, TV Globo, a revista Vogue e o Financial Times. E como apoiadores Bunge e Redecard.
O evento contou com depoimentos do ex-presidente Bill Clinton e do escritor Paulo Coelho. E teve o brilho da apresentação de João Carlos Martins que executou ao piano os hinos brasileiro e norte-americano para a plateia que tinha não somente brasileiros, como também representantes de outros países e de entidades como a Unesco.