quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mudanças começam dentro de casa

Ações sustentáveis exigem comunicação interna promovida pelas empresas para virarem realidade

Bastante discutida diante das evidentes transformações climáticas e ambientais, a sustentabilidade aparece como o grande atual desafio das empresas de todo e qualquer segmento. Levantar essas questões e compartilhar experiências já colocadas em prática pelo mercado é o propósito do Seminário Unomarketing, que teve início nessa terça-feira, 28, em São Paulo.

Em painel voltado à discussão de como as empresas comunicam ações sustentáveis e se dedicam a estimular o consumo sustentável em diferentes camadas da sociedade, consultores e diretores de grandes empresas mostraram que a atitude mais importante e urgente se refere à conscientização interna sobre a importância do tema em escala global e futura. Segundo Miguel Danta, responsável pela área de sustentabilidade da Goodyear Brasil, é importante que todos os funcionários de uma empresa - estejam eles em postos executivos ou no chão de fábrica - sejam tocados pela relevância do tema de forma que se convençam do que está sendo discutido e propaguem a informação multiplicando a necessidade da prática da sustentabilidade.

Para tanto, Danta conta que nos processos internos da fabricante de pneus foram introduzidas oficinas sobre a assunto com linguagem e duração adaptadas a cada perfil de funcionário. Também foi iniciado um processo de treinamento com os cerca de mil revendedores da marca, para que a mensagem se aproxime cada vez mais do consumidor final. "Um vez estabelecidos internamente, fica mais natural o alinhamento com estratégias de marketing e participação em fóruns de discussão, por exemplo, para que as informações ganhem amplitude dentro da sociedade", acredita o executivo.

Na opinião de Valter Faria, da Corp Brasil, internalizar a importância do tema é justamente onde mora o desafio, sendo que muitas empresas tocadas pela necessidade de serem ambientalmente e socialmente responsáveis acabaram se posicionando de maneira equivocada - tentando passar a ideia da sustentabilidade adiante sem ter transformado seu comportamento interno e sem se perguntar como continuar rentável de forma sustentável.

"A ideia de que através da antecipação da imagem de sustentável traria como resultado um reforço de marca fez com que muitas empresas não traçassem um caminho de longo prazo e não mostrassem nada de concreto e educativo. É preciso que se altere o senso de urgência e que seja dado o primeiro passo em busca de um posicionamento real, que convença o consumidor e seja multiplicável", colocou Faria.

"Pesquisas mostram que o grande obstáculo para a execução de práticas sustentáveis não está nos consumidores, mas sim nos acionistas e investidores das empresas. É primordial que essas pessoas sejam tocadas para que as mudanças sejam vistas no longo prazo", acrescentou Fabián Echegaray, da Market Analysis.