sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Google frente a frente com jornais

Painel no 8º Congresso Brasileiro de Jornais promove debate entre executivos dos principais portais de busca e o presidente da Associação Mundiais de Jornais e Editores de Nótícias (WAN – IFRA).

"O Google é cleptomaníaco". A frase proferida há alguns anos pelo presidente da Associação Mundiais de Jornais e Editores de Nótícias (WAN – IFRA), Gavin O'Reilly, tem como pano de fundo a queixa da indústria do jornalismo contra os mecanismos de busca que geram tráfego e negócios para si a partir do conteúdo alheio.

No início da tarde desta sexta-feira, dia 20, no último dia do 8º Congresso Brasileiro de Jornais promovido pela ANJ, O'Reilly, também CEO do Independent News Media PCL, fez uma palestra mais amena sobre o assunto em função do maior diálogo hoje em dias como os principais players da internet que tem hoje o Google como empresa símbolo. Participaram do debate André Izay, presidente do Yahoo no Brasil; Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretor geral de consumo e online da Microsoft no Brasil; Rodrigo Velloso, diretor de desenvolvimento de novos negócios do Google para a América Latina; com moderação de Juarez Queiroz, diretor geral da Globo.com.

Para O'Reilley, desde que os meios de comunicação celebraram a chegada da internet e propagaram um otimismo desenfreado até a explosão da primeira grande bolha em 2000, os jornais ainda patinam na busca da melhor fórmula de monetizar o conteúdo que disponibilizam na internet. E, para ele, os grandes culpados pelo relutância do consumidor em pagar pelo conteúdo jornalístico acessado pela web são os portais de busca, em inglês chamados de search engines.

"Foi nesse contexto que chamei o Google de claptomâniaco, por oferecer conteúdo alheio produzido às custas de terceiros para alimentar seu próprio negócio", disse O'Reilley, hoje mais diplomático após anos de diálogo com os maiores players do setor. "O fato é que os jornais não souberem valorizar esse conteúdo que produzem na última década, que para nós foi totalmente perdida", reconhece.

André Izay, representante do Yahoo assim como seu colega da Microsoft, disse que esse impasse foi em parte resolvido com a aceitação de pedidos de empresas jornalísticas para que seu conteúdo não seja incluso nos resultados de buscas. Além disso, já é bastante comum que esses portais e mecanismos de busca tenham suas próprias páginas de notícias produzidos com conteúdo comprado por agências de notícias como o próprio MSN, da Microsoft, que entre seus provedores tem as agências Lancepress e Estado de São Paulo.

Colocar a culpa pelos maus bocados atravessados nos jornais nos novos players da internet foi uma tese sutilmente refutada. Velloso, do Google, afirma que o tempo médio que um consumidor dedica a leitura de um jornal é de 25 minutos enquanto essa experiência online é de poucos minutos. "Demonizar o Google está na moda, assim como já foi com a Microsoft e assim como será com o Facebook. Mas o conteúdo sempre rei nesse mercado", disse Velloso.