Distribuição multiplataforma ainda não gera grandes receitas, mas produtores devem embarcar nesse movimento sob o risco de ficar de fora quando o lucro chegar.
A grande pergunta para as empresas de mídia hoje é: onde estão as receitas geradas pelo conteúdo 2.0 - aquele distribuído em múltiplas plataformas e diferentes versões, em 3D, HD, on demand e consumido a qualquer hora, em qualquer lugar. "O dinheiro do conteúdo 2.0 ainda não está lá, mas está chegando", acredita Steve Rudolph, principal executivo da área de mídia digital da empresa de consultoria McKinsey.
"O conteúdo 2.0 vai crescer muito, só que ninguém sabe quando isso vai acontecer. Mas é importante entrar nessa onda agora, mesmo que as receitas não estejam lá - elas estarão. E quem não entrar hoje verá outros players ocuparem o seu lugar", avisou o consultor, que participou de painel na tarde desta quarta-feira, 11, durante o congresso da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA 2010), que prossegue até amanhã, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Rudolph apontou cinco razões para se continuar acreditando que o conteúdo ainda é o rei:
1. A TV voltará a ser a "rainha" porque a experiência de se assistir televisão na sala de casa está se tornando cada vez melhor, graças ao avanço da tecnologia, com telas maiores, imagem em alta definição, programação em 3D e até conexão com a internet;
2. O conteúdo profissional vai levar a novas oportunidades de negócio na internet, porque ele ainda é o mais consumido na rede;
3. O conteúdo gerado pelos usuários vai coexistir com o profissional e até reforçá-lo, pois muito do que é produzido pelos internautas remete às produções profissionais;
4. A publicidade vai voltar a desempenhar um papel parecido com o que tinha nos primórdios da TV, nos anos 50, mais entrelaçada à programação, com ações de advertainment (mistura de publicidade e entretenimento);
5. Com a distribuição multiplataforma, a experiência 360º será vencedora. "Abre-se uma nova gama de possibilidades de receitas quando se aumenta o número de plataformas e de consumidores", diz Rudolph.