quinta-feira, 8 de julho de 2010

Marca" José Serra está com alerta ligado na internet

Relatório analisa saúde online dos candidatos à presidência e aponta reflexos das pesquisas de intenção de voto nos comentários dos internautas.

Share of buzz dos candidatos no primeiro levantamento da iGroup
Utilizada pela primeira vez em caráter oficial no processo eleitoral brasileiro, a internet é um campo a ser desbravado pelos candidatos. Ser bem visto pelos internautas reunindo notícias e comentários positivos é um desafio que depende da maneira como cada uma irá conduzir suas estratégias de comunicação e da consistência de seus planos de governo.

Em parceria com a empresa de monitoramento em redes sociais iGroup, o M&M Online fará um acompanhamento periódico sobre os comentários dos internautas, o que resultará em uma análise da saúde das marcas dos principais candidatos à Presidência da República durante a campanha que antecede o pleito de outubro. A ideia é ver qual será a influência da internet na escolha final dos brasileiros assim como quais serão os assuntos mais repercutidos na rede.

Resultados de um primeiro levantamento realizado entre os dias 24 de junho e 1º de julho, mostravam que a internet - em especial as redes sociais - trazia claros reflexos do que acontecia nas pesquisas de intenção de voto realizadas por renomados institutos. Enquanto José Serra contabilizava cerca de 40% de todo o volume de comentários expostos nesses canais, Dilma Rousseff reunia 49% e Marina Silva somava 11%.

O que faz a diferença aqui, contudo, é a quantidade de comentários negativos voltados a cada candidato. A queda do tucano nas pesquisas feitas por Ibope e Datafolha no mesmo período foi sentida na internet, onde 65% dos comentários feitos a respeito de Serra não tinham caráter positivo. Dilma, por sua vez, amargava 28% de share negativo e Marina 7%. Segundo Ricardo Almeida, diretor geral da iGroup, foram analisadas pouco mais de 33 mil ocorrências em uma semana.

Se o foco da análise muda para a quantidade de citações positivas, no entanto, Marina Silva aparece como a candidata proporcionalmente mais bem falada entre os três com 35% de share positivo. Dos comentários voltados a José Serra, apenas 26% foram positivos e, no caso de Dilma, 39%.

"O PT é alvo de muitas críticas e conseguimos sentir que, quando o Lula aparece fazendo campanha para Dilma, cresce o número de comentários negativos", conta Almeida. "Já a Marina era praticamente nula nas redes sociais até bem pouco tempo atrás. Agora, para se ter uma ideia, ela já registra o dobro de ocorrências que Aécio Neves registrava quando ainda havia chances do político sair candidato à presidência pelo PSDB", compara Almeida.

Índice de Saudabilidade
Ao analisar os comentários feitos pelos internautas no Twitter e na blogosfera, além do conteúdo publicado pela imprensa online, a iGroup também elabora um índice de saudabilidade da marca dos candidatos na rede. O resultado é a média entre os posts positivos e negativos em cada um desses canais.

Na semana que antecedeu o início oficial das campanhas eleitorais, José Serra aparecia com o sinal de alerta ligado com o índice de saúde de sua marca em 50,32%. No mesmo período, Dilma Rousseff registrava índice de 68,81% enquanto Marina Silva esbanjava 80,86% visivelmente colocada em uma zona de conforto. "Proporcionalmente a candidata pelo Partido Verde é menos citada na internet do que os outros dois principais concorrentes. Mas, no geral, as citações que fazem referência à Marina são mais positivas do que negativas", comenta Almeida.

"Agora, com o final da Copa do Mundo e início oficial das campanhas, as eleições devem começar a ganhar mais atenção e esse cenário deverá se alterar semana a semana. Tudo vai depender de como os candidatos irão conduzir sua campanha. Quem será capaz de virar esse jogo é o que queremos descobrir", diz.

Para chegar a esse percentual, a iGroup leva em conta a importância dos diferentes meios de acordo com o potencial de evangelização de cada um. Por isso, nessa escala, o Twitter aparece com peso de 40% graças à sua agilidade de propagação das informações e força de influência. A blogosfera, que recebe reflexos do Twitter filtrando as informações com análises mais aprofundadas, aparece com peso de 35%. Já a imprensa online, que recebe pouca influência de outros meios, mas conta com alto poder de formação de opinião, recebe a carga de 25% na hora da medição.