Empresas e torcedores que compraram ingressos de vendedores não credenciados pela Fifa estão sendo barrados na entrada dos estádios sul-africano.
Os cambistas estão se tornando a maior dor de cabeça dessa Copa do Mundo para os turistas e empresas que estão tentando comprar ingressos de última hora. Um levantamento do jornal Sunday Times de Johanesburgo, publicado neste último domingo, dia 27, calcula em cerca de 6,5 milhões de rands - algo em torno de R$ 1,7 milhão - o prejuízo declarado até o momento por empresas e turistas que tiveram seus ingressos cancelados pela Fifa por terem sido comprados por agentes não autorizados.
Segundo a Fifa, essas ações contra os cambistas são a principal causa de alguns espaços vazios que vem sendo verificados nas arquibancadas dos dez estádios da Copa, apesar da enorme procura e do fato de os pontos oficiais de vendas não terem mais ingressos disponíveis. Até a última sexta-feira, véspera do início dos jogos de oitavas-de-final, as agências do First National Bank, banco patrocinador da Fifa cujas redes são responsáveis por parte da venda dos ingressos, só havia disponibilidade para a partida entre Gana e EUA, disputada e vencida pelos africanos no último sábado, dia 26. Nas ruas do centro de Joanesburgo e nas proximidades do estádio Ellis Park, cambistas ofereceram ingressos para o jogo de segunda-feira, contra o Chile, a partir de US$ 600 apesar da repressão oficial.
Na reportagem do Sunday Times, Clifford Green, um dos advogados da Fifa na África do Sul, declarou ter entregue um dossiê às autoridades do país com uma lista de sete empresas locais vendendo ingressos de forma ilegal, as quais responsabiliza pelo prejuízo sofrido pelos torcedores. Um dos golpes mais comuns sofrido pelos turistas estrangeiros tem sido a compra de bilhetes da categoria 4, vendidos por preços especiais nas bilheterias exclusivamente para cidadãos sul-africanos que precisam apresentar suas identidades no acesso aos estádios. Por conta desse tipo de controle, muitos estrangeiros estão sendo barrados apesar de terem ingressos na mão.
Há também casos de ingenuidade corporativa como o da empresa Sasol Oil que pagou 2 milhões de Rands a THG Sports, uma das listadas no dossiê da Fifa, por ingressos e hospitality centers para fazer ações de relacionamento com clientes. Após antecipar metade da soma há dois anos, hoje tenta recuperar o valor na Justiça após descobrir que a THG não era credenciada pela Fifa para tal operação. A agência Euroteam entrou para a lista negra da Fifa após publicar anúncios em jornais do país oferecendo "bilhetes para todos os jogos, inclusive a final".