sexta-feira, 28 de maio de 2010

Slim se alia a portugueses contra a Telefónica

Proprietário mexicano da Claro e da Embratel pode comprar participação na Portugal Telecom para bloquear avanço da operadora espanhola no Brasil.

A verdadeira batalha iniciada pela Telefónica de España contra os portugueses pelo controle da Vivo acaba de se juntar mais um peso-pesado: o empresário mexicano e homem mais rico do mundo, Carlos Slim Helú, improvável parceiro em outras ocasiões, já tem emissários em Lisboa para conversar com acionistas da Portugal Telecom (PT) e pode vir a ser tornar o mais novo acionista da PT contra as investidas da Telefónica.

A estratégia de Slim, conforme o jornal português Diário Económico, é impedir que a Telefónica amplie sua presença no território brasileiro. A Vivo, no Brasil, é a principal concorrente da Claro, de Slim, que é a segunda operadora em market share. Slim tem se encontrado com grandes acionistas da PT, como o BES, e, eventualmente, a compra de participação do capital da PT pode acabar com os planos da Telefónica que, nos últimos dias, ganhou contornos de ofensiva: executivos da empresa espanhola insinuaram que podem, inclusive, usar o artifício de uma oferta pública de ações (OPA) hostil se a PT não voltar atrás na decisão de não vender a Vivo para a Telefónica.

Os dois lados - PT e Telefónica - fizeram road shows mundiais para assegurar aos acionistas sobre suas posições: a PT para convencê-los de que não é um bom negócio vender a Vivo e a Telefónica para explicar o que os acionistas têm a perder caso a PT não aceite a oferta de US$ 5,7 bilhões pelo controle da Brasilcel (holding que controla a Vivo no Brasil). O confronto entre PT e Telefónica se intensificou entre os dois lados, inclusive com agressões verbais de ambos os sócios. A Telefónica, além de sinalizar que pode mesmo realizar uma OPA hostil, ainda ameaçou bloquear remessas de dividendos da Brasilcel, o que significaria que a PT não teria acesso a essas remessas. Já a PT classificou a iniciativa da Telefónica como "tentativa de chantagem".

Em meio a esse furacão, o valor de mercado da PT subiu: passou de 5,8 bilhões para 7,4 bilhões nos últimos dez dias. Mas, no ano, ainda registra perda de 1,64% no mercado de ações. A proposta de compra feita pela Telefónica vence no próximo dia 6.